ANO: 25 | Nº: 6283

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
13/11/2018 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Quantos amigos restaram depois das eleições?


Muitas pessoas viveram intensamente o último período eleitoral. Por haver uma polarização
tão grande entre as duas possibilidades existentes para ocupar o cargo de presidente do Brasil
houve comoção e inquietação enormes. Além disso, com o fenômeno das redes sociais, 
esta verdadeira excitação foi expressa todo o tempo de muitas formas, desde a iniciativa de
esclarecimento até a hostilidade ao pensamento oposto. Tal expressão escancarada das
opiniões e execração de qualquer escolha diferente que se viu na internet gerou decepções e
conflitos entre familiares e amigos. Seja em propostas delicadas ou mais ostensivas de mudar
o jeito de pensar dos outros e até mesmo a declaração de votos que inviabilizou relações, até
então duradouras, o que se viu foi um desfile de falta de aceitação sobre o pensar alheio.
É fato que as fake news prejudicaram a análise crítica do eleitor, bem como algumas projeções
a respeito de como ficaria o Brasil e a vida privada de todos nós, a partir do desfecho do pleito,
aguçaram e atiçaram o que já não estava bom, ou seja, a capacidade de conviver e aceitar que
pessoas de nosso afeto e admiração podem sim ter atitudes e opiniões que nos desagradam.
Amigo é algo bem mais complexo que uma simples imagem nossa refletida no espelho. As
virtudes e o caráter de alguém não podem ser avaliados exclusivamente por uma escolha,
empatia ou ilusão que esteja vivenciando. Impor esta análise também é preconceito, submeter
o universo afetivo a este critério também é exclusão.
Amigos fazem coisas que julgamos inconvenientes e equivocadas, e ainda assim continuam
sendo nossos amigos. Eles nos decepcionam e convivem com as decepções que causamos
neles, e ainda assim podem permanecer vivendo e aprofundando esta relação. A amizade
sobrevive a estremecimentos, distanciamentos, dificuldades e desilusões.
Sendo assim, quantas amizades sobreviveram às eleições? Todas as verdadeiras.


“As virtudes e o caráter de alguém não podem
ser avaliados exclusivamente por uma escolha”

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