ANO: 25 | Nº: 6312
14/11/2018 Luiz Coronel (Opinião)

As feiras do livro em debate

1. Na feira do livro a céu aberto, os livros são os astros e as estrelas que brilham em esplêndida constelação. A Feira do livro de Porto Alegre, em seus 64 anos, constitui-se num dos mais gratos patrimônios culturais do Rio Grande. Neste ano em curso, 700 lançamentos no Pavilhão de Autógrafos e uma venda que deve superar os 500 mil exemplares. Enquanto mundo afora alardeia-se a superação do livro, cujas exéquias seriam cantadas pelos computadores e sucedâneos e-books, WhatsApp, os livros resplandecem na praça.
2. "Os livros são meus pássaros, com eles aprendi a voar". O conhecimento tornou-se exclusivo dos mosteiros e antiguíssimas universidades. Fora de seus muros, o mundo profano. Desta visão, ainda existem resquícios. Com a prensa de Gutemberg, seu sistema mecânico de tipos móveis, desencadeou-se a revolução da imprensa, a democratização do saber. Os 26 soldadinhos de chumbo conquistaram terras longínquas com mais vigor do que os exércitos tradicionais.
3. "Comunica-se através da voz ou através da escrita. Uma carta eletrônica não poderá encharcar-se com uma lágrima". Em relação à sucessão dos veículos de comunicação, há sempre vozes carpideiras anunciando o fim do cinema pela televisão, o ocaso do rádio, o funeral do livro. Os veículos de comunicação são acumulativos bem mais do que substituíveis. Os livros continuam, transbordantes no ardor de cada dia.
4. "Este jamais será um país civilizado até que gastemos mais dinheiro em livros do que em chicletes". Retorno às nossas feiras do livro. São dezenas instaladas por nossas cidades gaúchas. Com muita honra e afinco, fui e sou patrono de dezenas. Na maior parte das vezes, urge perguntar: Onde estão os professores? Os mestres e doutores de literatura? Os alunos das cadeiras de literatura? Estarão enclausurados em suas escolas e universidades, como nos tempos medievais?
5. "O livro é também um artigo de primeira necessidade".
A montagem de uma Feira do Livro exige uma integração ao mundo do ensino, da cultura, ou teremos simplesmente um avento no calendário e não um "fato cultural". Astros midiáticos, cantores sertanejos fogem ao foco essencial: sua majestade, o livro. É com livros infantis nas escolas, encenações de textos, recitais, concursos literários, debates que se edifica uma fértil Feira do Livro. Lembrem-se, senhores governantes: desenvolvimento e cultura são processos simultâneos. Inseparáveis. Os brasileiros leem dois livros por ano; os europeus, 17. Isso diz muito. Ou tudo.

 

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