ANO: 26 | Nº: 6543
14/11/2018 Editorial

Lei seca nos estádios em xeque

Violência nas arquibancadas, invasão de gramados, enfim, confusões fora do contexto de uma partida de futebol. Estes aspectos nortearam, ao longo dos últimos anos, uma série de debates e, inclusive, adoção de medidas de combate a tais fatos. Em especial por tragédias que fizeram, infelizmente, torcedores perderem suas vidas. Um dos marcos dentre as mudanças adotadas está a Lei Seca, que impede a comercialização dentro dos estádios que, agora, está sendo colocada em xeque pelo parlamento gaúcho.
Dois deputados pedetistas, como revela a coluna Fogo Cruzado de hoje, propõem algumas mudanças na atual legislação. E se baseiam, com ênfase, no modelo que vigorou, no Brasil, durante a principal competição mundial de futebol, a Copa. De acordo com os parlamentares, a disputa, que anulou as regras utilizadas e permitiu a venda de cerveja nos estádios, demonstrou que tal prática não compromete a segurança e, ao contrário, estimula receitas aos organizadores.
O caso é que este tópico precisa, sim, ser revisado. E aqui não está uma defesa à comercialização, mas uma tese de que é possível serem encontrados denominadores para uma complexa equação. Ao longo dos últimos anos, se aceite ou não, investimentos em arenas modernas, ou mesmo a reestruturação de estádios renomados, fez com que torcidas, em grande parte, mudassem de comportamento. É claro que exceções se apresentaram, mas, no geral, o cenário de segurança voltou, aos poucos, aos estádios – infelizmente, nos entornos, isto ainda está longe de ser uma característica verdadeira.
Mas o que pode se avaliar sobre isto? Que, em boa parte dos casos, a infraestrutura permitiu avanços na busca de um cenário ideal. Torcedores, mesmo movidos por uma paixão pouco entendível, em certos momentos, vislumbraram que é preciso, além de torcer, preservar o patrimônio do seu clube. Ou seja, passaram a ser, também, vigilantes nas arquibancadas.
A exemplo do que a Europa conseguiu, a duras penas, é verdade, e após muitas tragédias, é possível, ao menos, conjecturar que o futebol brasileiro dá passos rumo a um cenário mais promissor. E a venda de bebidas pode ou não fazer parte disto. Mas é preciso avaliar.

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