ANO: 25 | Nº: 6399

José Carlos Teixeira Giorgis

jgiorgis@terra.com.br
Desembargador aposentado e escritor
17/11/2018 José Carlos Teixeira Giorgis (Opinião)

Empreza de açougues LTDA.

De particular Caixa de Pandora que remexo, ocasionalmente, salta um manuscrito que alguém anotou para mim, quando, curioso outrora, investigava o comércio de carnes na cidade. Penso que seja alguém da família Romero, ou parente dela, pois, infelizmente guardei a letra caligráfica posta em folha de antigo caderno. E que transcrevo:
- O abastecimento de carne na cidade era feito por diversos marchantes legalizados que abatiam num antigo matadouro precariamente instalado em propriedade da prefeitura municipal, pagando a esta uma “sangria’ por rês abatida e vendendo a carne em açougues no mercado público até os anos 1927 ou 1928.
Nessa época, Antonio J. Romero, José Gomes Filho, Cândido Xavier de Azambuja, Poester, Galvão Alves, entre outros, fundaram a firma Gomes, Romero, Azambuja e Cia Ltda. Construíram o “Matadouro Modelo”, legalizando e higienizando o precário abastecimento de carne da cidade. Após 10 anos da firma, conforme contrato com a prefeitura de Bagé o referido matadouro foi entregue para a mesma.
No final do primeiro contrato, foi organizada uma nova firma com os mesmos componentes e mais alguns cotistas e a denominação de Empreza de Açougues Ltda. Essa firma, agora por cotas, era composta por quase todos os sócios e mais alguns cotistas. Os quartos de açougue foram construídos “uma vintena” e adaptados às condições da ´época. A construção esteve a cargo do “Dr. Vasco da Gama e Silva”.
A Empreza de Açougues arrendava a estância “S. Martim”, de propriedade de D. Margarida Galibern onde hoje está localizada a “Colônia Salvador Jardim”- invernada que serve para abastecimento da cidade nas entressafras.
Essa organização funcionou até idos de 1950 quando extinguida foi substituída pela “Abastecedora de Carnes Ltda”. (parte rasurada) usando os açougues da firma anterior agora regida por antigos funcionários.

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Completei com minha letra, na época – possivelmente em entrevista com a informante – deplorando não registrar a data e identidade, desconhecimento que credito à “juventude de minha velhice”, como diria o poeta nordestino.
Mas apontei que a Empreza era composta de 50 cotistas, entre eles Antonio Jacinto Romero, (?) Romero, Bernardino Lignon, Galvão Alves, Cândido Xavier de Azambuja, Waldemar Ferreira (contador) e Carlos Kluwe. Minha escrita apressada me parece hoje hieroglífica.
Também escrevi que Gomes e Cia utilizavam os açougues no Mercado Público (lado do Calçadão); e que a Empreza, depois, passou a erguer seus açougues que se situavam na Presidente Vargas, Tupi Silveira (Vigil), Vinte de Setembro (ao lado da Cooperativa) e Praça João Pessoa.
Eis aí material para os pesquisadores completarem a história desta importante empresa bajeense, organizada por homens que se tornaram especiais líderes e pioneiros do desenvolvimento desta cidade.
E que eficiente a memorialista, diversamente de mim, se lembre do episódio e conceda a honra da lembrança de quem foi tão preciosa para a memória de Bagé.

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