ANO: 25 | Nº: 6313

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
17/11/2018 Marcelo Teixeira (Opinião)

Sim, acreditem, baixou o preço da gasolina!

Tudo foi tentado! Denúncia do Ministério Público, reclamação ao ProCon, comissão de investigação na Câmara de Vereadores, matérias jornalísticas em noticiários nacionais de grande audiência, oração para todos os santos, enfim, só faltou se queixar para o Bispo e, mesmo assim, neste momento, de nada adiantaria, pois, apesar do anúncio do novo Bispo Diocesano, estamos momentaneamente sem esta autoridade eclesial.
Nada tinha adiantado! Ostentamos, por anos, o infame título de cidade com a gasolina mais cara do Brasil e toda vez que alguém ousasse atribuir esse título a outra cidade, rapidamente alguém daqui colocava tudo no seu devido no lugar, informando que não havia nada igual em termos de exploração indecorosa do consumidor.
Explicações de toda ordem tentaram explicar o inexplicável. Explicações técnicas, geográficas, demográficas, conspiratórias, tributárias, mercadológicas, antropológicas, escatológicas, místicas, mas nenhuma delas resistia ao fato inescapável de que a gasolina em Aceguá era bem mais barata que a gasolina de Bagé. Partindo do pressuposto de que, dentro do território nacional, não tem como chegar em Aceguá sem passar por Bagé e que isso vale, também, para os caminhões que transportam combustíveis, não tem como explicar que uma gasolina que tenha um frete com 60 quilômetros a mais, custe menos que uma gasolina com um frete menor? E a diferença era tão grande que já estava quase valendo a pena ir a Aceguá só para abastecer o tanque de gasolina, mesmo sem reabastecer a adega e o estoque de destilados.
Contra esse fato não havia argumentos técnicos nem leigos que resistissem. Pelo contrário, reforçavam a tese conspiratória do cartel, cujos indícios iam e ainda vão muito mais além.
Mas hoje, isso tudo não interessa mais, pois depois de tudo, por tanto tempo, sem ninguém dar sequer uma explicação plausível para os milhares de consumidores explorados na Rainha da Fronteira, enfim, uma simples lei de mercado resolveu tudo. A inauguração de um novo posto de gasolina, de uma rede de postos que não havia na cidade, fez a revolução e a revelação. A revolução da queda do preço da gasolina e a revelação de que a margem de lucro era indecente, se comparada com outras praças. O preço médio do litro da gasolina comum caiu de R$ 5,36 para R$ 5,15 e as filas no novo posto continuam perenes.
Espero, sinceramente, que não seja só uma promoção de inauguração e a gerência do novo empreendimento resista à tentação de integrar o cartel que por tanto tempo explorou o espoliado consumidor bajeense.

 

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