ANO: 25 | Nº: 6209

Rochele Barbosa

rochelebarbosa@gmail.com
Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
19/11/2018 Caderno Minuano Saúde

Obesidade Infantil

Foto: Divulgação

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Especialistas estão enfrentando uma grande epidemia de saúde pública: o número crescente de crianças obesas nos últimos tempos. Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), no ano de 1975, havia 11 milhões de crianças e adolescentes obesos. Em 2016, esse número estava em torno de 124 milhões de pessoas, na faixa de cinco a 19 anos, com excesso de peso. Para cada 100 crianças, as estatísticas mostram que seis meninas são consideradas obesas. Em comparação, há oito meninos.
As causas da obesidade na infância são multifatoriais. Trata-se de um problema complexo, devido a hábitos alimentares inadequados, sedentarismo, uso excessivo dos equipamentos eletrônicos, causas genéticas, oferta de produtos industrializados que invadiram nossas vidas, entre outros fatores. Um dos marcadores utilizados para definir obesidade é o IMC (Índice de Massa Corporal) , que calculamos dividindo o peso em quilo pela altura em metro. A classificação determina valores entre 25 a 30 como sobrepeso; acima de 30 obeso e, se ultrapassa 40 alcança obesidade mórbida.
Nesta edição, a médica pediatra, especialista em neonatologia, Gabriela Martins Silveira da Silva, e a educadora física, especialista em Natação, Rita Sousa Peres, falam sobre essa situação, prevenção e dão dicas de como se tratar o assunto.

 

Tratamento e prevenção

A alimentação saudável é importante antes da concepção do bebê. A mulher que deseja planejar sua gestação deveria avaliar sua saúde previamente, adotando hábitos nutricionais saudáveis, fazendo exames periódicos e praticando atividades físicas regularmente, destaca a pediatra Gabriela.
“Foi criado o conceito dos 1000 dias, que é o período desde a concepção até os dois anos de idade. A alimentação da gestante repercute muito na nutrição do bebê. Assim, patologias futuras podem ser evitadas, como doenças cardiovasculares, diabetes e certas neoplasias”, explica.

O Ministério da Saúde e a Organização Pan Americana de Saúde criaram os 10 passos para Alimentação saudável:

• Passo 1 – Dar somente leite materno até os seis meses, sem oferecer água, chás ou quaisquer outros alimentos.
• Passo 2 – A partir dos seis meses, introduzir de forma lenta e gradual outros alimentos, mantendo aleitamento materno até dois anos de idade.
• Passo 3 – Após os seis meses, dar alimentos complementares (cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas e legumes), três vezes ao dia, se a criança receber leite materno, e cinco vezes ao dia, se estiver desmamada.
• Passo 4 – A alimentação complementar deverá ser oferecida sem rigidez de horários, respeitando-se sempre a vontade da criança.
• Passo 5 – A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida com colher; começar com consistência pastosa (papas/purês) e, gradativamente, aumentar a consistência até chegar à alimentação da família.
• Passo 6 – Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia. Uma alimentação variada é, também, uma alimentação colorida.
• Passo 7 – Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições.
• Passo 8 – Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas nos primeiros anos de vida.
• Passo 9 – Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos; garantir o seu armazenamento e conservação adequados.
• Passo 10 – Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar, oferecendo sua alimentação habitual e seus alimentos preferidos, respeitando a sua aceitação.

A pediatra destaca que os grandes exemplos para os filhos adotarem hábitos saudáveis são os pais. Ou seja, simples ações podem ajudar muito, como, por exemplo, fazerem as refeições juntos, ingerirem alimentos de valor calórico adequado e, principalmente, não utilizarem equipamentos eletrônicos durante as refeições. “É muito difícil, na infância, a aceitação de fazer dieta. Alguns conceitos foram trocados para estimular a perda de peso, podemos dizer reeducação alimentar e muito importante adotarmos metas pequenas para chegarmos no objetivo. Equipes multidisciplinares: pediatra, nutricionista, psicólogos, educadores físicos e outros profissionais são fundamentais para auxiliar e orientar os pais sobre a obesidade infantil”, ressaltou a médica.

Exercícios

A especialista em Natação, Rita Sousa Peres, destaca que, a atividade física, desde cedo, para as crianças, previne várias doenças, assim como os torna adultos praticantes e saudáveis.
“O papel dos pais é muito importante quando se trata de criar hábitos saudáveis nas crianças, procurando sempre a melhor alimentação, sono tranquilo, estimular a prática de uma atividade física; não deixar ficar só no celular, tablet, jogos e T”, complementa Rita.
A Natação pode ser uma das primeiras atividades físicas oferecidas, já que, desde os 6 meses, os bebês podem frequentar academias ou escolas específicas e darem início à experimentação na prática.

Benefícios da natação para bebês e crianças:

*Segurança
*Desenvolvimento sensorial e motor
*Consciência do corpo
*Oportuniza novas sensações
*Estimula o aprendizado sobre como se deslocar na água

 

A profissional acrescenta que crianças acima do peso tendem a adaptar-se bem ao esporte. A Natação pode proporcionar um treino mais completo. “A atividade na água ajuda a controlar o peso das crianças, obesidade infantil e um problema grave no País. De acordo com IBGE, um terço das crianças brasileiras, entre três a cinco anos, está acima do peso”, explica.
Com a prática da Natação, são evitadas doenças como diabetes, hipertensão, depressão, problemas articulares entre outras.
Caso a criança não se adapte à Natação, é importante estimular a prática de uma atividade física direcionada, contando sempre com o estímulo e apoio dos pais ou responsáveis, em locais apropriados, com profissionais capacitados.
A Natação, mesmo praticada no inverno, sem intervalo, fortalece o sistema imunológico através de exercícios regulares. "No caso de crianças obesas, a assiduidade e continuidade da prática são muito importantes", conclui a professora, Rita Souza Peres.

 

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