ANO: 25 | Nº: 6353
19/11/2018 Cidade

Uruguai irá iniciar combate à rã-touro em Aceguá

Foto: Arquivo JM

Espécie foi encontrada em 23 açudes da Princesa da Fronteira
Espécie foi encontrada em 23 açudes da Princesa da Fronteira

O Ministério de Ganadería, Agricultura e Pesca (MGAP) e Meio Ambiente (MVOTMA) do Uruguai deve iniciar uma ação, em Aceguá, de combate à rã-touro. O tema foi abordado pelo Jornal MINUANO no final de 2017 e vem sendo discutido no lado uruguaio de Aceguá, onde a espécie foi detectada em 23 açudes. Na época da constatação, um grupo de pesquisadores universitários da capital uruguaia esteve na cidade realizando um levantamento.

Conforme o jornal uruguaio Todo El Campo, as ações para erradicar a espécie foram elaboradas pelo Comité de Espécies Exóticas Invasoras (CEEI) e contará com o apoio do Exército Nacional, intendência de Cerro Largo e produtores rurais.

Levado o Uruguai em 1987, para a comercialização da carne. Como o negócio não prosperou, as rãs-touro foram soltas na natureza. O problema é que o anfíbio não tem predador natural e pode causar um desequilíbrio ambiental por se alimentar, quando adulto, de vegetais, anfíbios, peixes, cobras, lagartos, aves e pequenos mamíferos. Cada fêmea pode depositar até vinte mil ovos, desovando várias vezes ao ano.

Pesquisa

A rã-touro foi estudada por alunos do curso de Curso de Ciências Biológicas da Urcamp, sob a responsabilidade da bióloga, doutora em Zoologia e coordenadora do curso, Lize Helena Cappellari. Ela ressalta que a maior incidência do anfíbio foi encontrada em Aceguá, principalmente no lado uruguaio. “A princípio, ainda não há registros da espécie em outros municípios da região. Em Candiota, foi feito apenas um registro, há alguns anos”, comenta.

Segundo Lize, o anfíbio é uma espécie nativa dos Estados Unidos, que, no ano de 1935, foi introduzida no Brasil para alimentação. Entretanto acabou escapando de muitos locais de cativeiro e invadindo ambientes naturais e corpos d’água, como rios, lagos e açudes.

É considerada, segundo a professora, pelos ambientalistas, como uma das cem piores espécies invasoras do mundo devido à sua alta capacidade de competir por recursos alimentares, predar uma grande diversidade de espécie e carregar patogenicidades altamente prejudiciais a outros organismos. A pesquisadora afirma que mesmo não havendo outros registros na região, o anfíbio não tem barreiras para acessar o território brasileiro e representa, atualmente, um enorme problema ambiental.

Conforme a pesquisa dos alunos Pâmela Cunha da Silva, Yuri Hoesel dos Santos, Camila Daiane Bittencourt Leite, Maria Eduarda Rivero e Paula Ceolin Lauar, a rã pode viver em praticamente qualquer ambiente, mesmo em elevados níveis de poluição. Isso faz com que esse animal tenha sido apontado como a causa do declínio de algumas outras espécies de anfíbios.

Lize comenta que os alunos devem dar continuidade à pesquisa, realizando atividades de campo, nas áreas de provável ocorrência na região e ações de manejo e educação ambiental para conter a expansão geográfica do animal, evitando ou minimizando os impactos causados por ele.

Segundo a pesquisadora, a rã-touro já foi encontrada em mais de 20 municípios de Estado, sendo mais comum no Norte.

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