ANO: 25 | Nº: 6334

Observatório da Mídia

22/11/2018 Observatório da Mídia (PAUTA ESPECIAL - Curso de Jornalismo)

Jornalismo Independente: buscando novos rumos profissionais

Foto: Marcelo Rodriguez Barboza/ Especial JM

por Gabriel de Bem
Acadêmico do sexto semestre do curso de Jornalismo da Urcamp

Estamos vivendo na Era da Informação, onde somos bombardeados por notícias 24 horas por dia, de todos os meios possíveis: TV, rádio, jornal impresso, e, principalmente, internet. A velocidade com que as novas tecnologias vêm surgindo, permitindo o acesso a informações por meios digitais, está mudando o jeito de se produzir e de consumir jornalismo. Tais mudanças estão causando situações de crise em grandes veículos de comunicação, provocando diversas demissões de funcionários. Com isso, muitos jornalistas perceberam oportunidades para criarem seus próprios negócios, fora das grandes corporações midiáticas.
De acordo com o levantamento feito pela Volt – agência independente de jornalismo de banco de dados – no Brasil, de 2012 a 2015, foram contabilizadas 1.084 demissões de jornalistas em 50 redações diferentes. A Editora Abril foi a que mais demitiu: 163 jornalistas no total. O Grupo Folha e o Grupo Estado demitiram 65 profissionais, respectivamente. O Grupo RBS dispensou 54 funcionários e o portal Terra e o Jornal Valor Econômico, 50 pessoas cada um. Diante deste contexto, em que o jornalismo tradicional está em declínio, uma das soluções de muitos jornalistas é empreender projetos independentes.
Nesta circunstância, surgiram a Agência Pública, Ponte, Jota, BRIO e Olga, que produzem conteúdos para plataformas digitais e que nos fazem refletir sobre a real importância do jornalista e qual o papel dele como formador de opinião pública. Basicamente o jornalismo empreendedor é formado por um grupo de profissionais, que se unem a designers, programadores e administradores, entre outros, para proporcionar ao cliente acesso a informações de qualidade e formar opinião pública que fortaleça os princípios de uma sociedade mais justa e igualitária.
Para que essas empresas independentes consigam se manter em um espaço onde as grandes corporações midiáticas monopolizam as informações disponibilizadas nos meios de comunicação do País, é necessário que a sociedade, as empresas, as fundações e até incentivos de políticas públicas apoiem e fortaleçam estas iniciativas.
Mas o grande desafio do jornalismo independente é se tornar autossustentável e uma alternativa para isso acontecer é fazer o uso de financiamentos coletivos, vendas de assinaturas mensais, pagamentos por artigo ou reportagem, mecenato, entre outros. Contudo, o objetivo é fazer um jornalismo comprometido com a sociedade, com qualidade, com apuração dos fatos, seriedade e que saiba utilizar a ferramenta digital para falar com o consumidor.

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...