ANO: 24 | Nº: 6185

Fernando Risch

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Escritor
23/11/2018 Fernando Risch (Opinião)

Decepção

Decepção é uma palavra forte. Vem atrelada intrinsecamente com a expectativa. A decepção só existe quando se espera muito, se deseja muito, e aquilo não acontece. Existem níveis de decepção e estes níveis são calibrados pela quantidade de emoção que se aplica no que se espera.
 
Não há decepção onde não se projeta nada. Ninguém decepciona alguém com expectativas nulas. Eu não espero nada de você, então você, num exercício de invisibilidade idiossincrática, cumpre seu papel de nulidade emocional, mantendo o status quo decepcionativo, que é igual a zero. Os momentos que se perdem com a decepção, não importa o que se faça para tentar compensar, são irrecuperáveis. A lembrança traz a dor.
 
Eu me decepcionei. E a decepção traz orgulho. E do orgulho nada bate, só o tempo. Necessariamente muito tempo. Tempo de fazer com que as mesquinhices se enterrem no cemitério da irrelevância e a emoção aplicada, transformada em decepção, volte à tona, com a morte do orgulho.
 
Rezem um terço aos que se decepcionam, caso creiam nessas coisas ecumênicas. Caso não, batam palmas frente uma janela aberta a estes pobres infelizes que esperam muito da vida, excitados como cavalos de carreira, emocionados como velhas senhoras choronas, e acabam dando-lhes com os peitos na taipa da desilusão.
 
E se eu puder dar-lhes uma dica, decepcionem-se com o que não vale à pena, porque a dor pelo que importa é incurável.

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