ANO: 25 | Nº: 6334

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
24/11/2018 Airton Gusmão (Opinião)

Cristãos leigos e leigas: sujeitos eclesiais, sal da terra e luz do mundo

Celebramos, neste último domingo do mês de novembro, a solenidade de Cristo, Rei do Universo; a conclusão do Ano Litúrgico; dia dos leigos e leigas e também o encerramento do Ano Nacional do Laicato, que teve como tema e lema, respectivamente, "Cristãos leigos e leigas, sujeitos na Igreja em saída, a serviço do Reino" e "Sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-14)". Como objetivo geral deste ano nacional do laicato a Igreja procurou celebrar a presença e a organização dos cristãos leigos e leigas no Brasil; aprofundar a sua identidade, vocação, espiritualidade e missão e, testemunhar Jesus Cristo e seu Reino na sociedade.
A Constituição Dogmática sobre a Igreja (Lumen Gentium), do Concílio Vaticano II, quando fala da natureza e missão dos leigos, afirma o seguinte: "Leigos são cristãos que estão incorporados a Cristo pelo batismo, que formam o povo de Deus e participam das funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei. A eles compete por vocação própria, buscar o reino de Deus, ocupando-se das coisas temporais e ordenando-as segundo Deus" (nº 31).
No evangelho deste domingo da Solenidade de Jesus, Rei do Universo (Jo 18,33-37), interrogado por Pilatos, Jesus responde: "O meu reino não é deste mundo". O reino proposto por Jesus não se confunde com os modelos do reino que a sociedade propõe.
O Reino de Cristo não acontece pela força, poder, mas pela atitude de serviço, pelos gestos de doação solidária em favor dos mais fracos. Porém, o fato de o reino de Cristo não ser do estilo político dos governos terrenos, não significa que esteja ausente, que não se realize já neste mundo; pois Jesus mesmo nos ensina a rezar: 'venha a nós o vosso reino'.
Os leigos são o perfume de Cristo, o fermento do Reino, a glória do Evangelho. Pelo batismo receberam o caráter sacramental que os diferencia dos não batizados. No povo de Deus, todos são filhos de Deus, irmãos uns dos outros, portadores de direitos. Os leigos são a maioria do povo de Deus.
Pela dignidade batismal os leigos e leigas são pedras vivas no edifício que é a Igreja. São corresponsáveis no ser e no agir da Igreja. Não atuam no meio do povo de Deus por uma "concessão de autoridade", mas pela força do batismo e da crisma.
Como sujeitos eclesiais, sal da terra e luz do mundo, os cristãos leigos precisam ter consciência de que "o campo próprio da sua atividade evangelizadora é o mesmo mundo vasto e complicado da política, da realidade social e da economia, como também o da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos Meios de Comunicação Social e de outras realidades abertas para a evangelização hoje" (Exortação Apostólica, a Evangelização no mundo contemporâneo, nº 70).
Por isso, somos convidados a reconhecer o testemunho de milhares de leigos e leigas que atuam nas comunidades, pastorais e movimentos, mas também são sal, luz e fermento nas realidades do mundo; bem como agradecer a Deus pela graça do sacramento do batismo que dá a todos a mesma dignidade e desperta dons, ministérios, serviços e a atuação de homens e mulheres na sociedade, como sinais e instrumentos do Reino de Deus já presente entre nós. O Ano do Laicato termina, porém, deve continuar o apoio, o acompanhamento, a formação, a espiritualidade encarnada e a valorização de todos os leigos e leigas na Igreja e na sociedade.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

 

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