ANO: 25 | Nº: 6382

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
24/11/2018 Marcelo Teixeira (Opinião)

Implicâncias

Eu tenho, tu tens, ele tem, nós temos, vós tendes, eles têm. Uns mais, outros menos; uns sempre, outros de vez em quando; uns com mais ênfase, outros com menos, mas todo mundo tem suas implicâncias. Algumas até são engraçadas e provocam risos, mas outras são chatas, irritantes, provocando desconforto e até constrangimentos.
Creio que seja da natureza humana, uma forma focada de ver algo no mundo ou nos outros e que, por razões que muitas vezes a própria razão desconhece, se torna especialmente importante para o observador (e somente para o observador).
Sendo natural do ser humano, os políticos não escapam, mas, por serem pessoas públicas, suas implicâncias acabam ganhando notoriedade e podem até repercutir no cotidiano de seus governados. O presidente eleito, por exemplo, implicou com o kit-gay e fez disso um cavalo de batalha de sua campanha eleitoral, mais ou menos como os marajás do governo Collor e o transporte coletivo da capital, no governo Olívio Dutra no final da década de 80.
Apenas para ficar com estas três implicâncias (kit-gay, marajás e transporte coletivo) até pode ser que existiam razões para considerá-las como algo que devia ter sido enfrentado ou corrigido, mas, nesses casos, a implicância acabou superdimensionando um problema que não necessariamente era o mais importante e, assim, menosprezando outros temas de maior repercussão social. Além disso, a experiência demonstra que estas implicâncias costumam não resultar em mudanças necessárias ou efetivas para o bem comum.
Pois bem, dei toda esta volta para falar sobre uma implicância local e mais recente: a questão da coleta do lixo em Bagé. Se a memória não falha, esse "problema" nem foi objeto de discussão durante a campanha eleitoral. Todavia, logo que assumiu, o prefeito eleito resolveu enfrentar a questão do recolhimento do lixo como algo problemático. O enfrentamento acabou até tumultuando o início da gestão que poderia ter ficado sem essa, mas, com o lixo se acumulando nas ruas, a população não demorou muito para se sentir incomodada.
Em nome de um suposto enxugamento nas contas públicas e a promessa de um serviço de recolhimento do lixo mais barato e qualificado, suportamos aqueles momentos iniciais até que, no início deste ano, um reajuste absurdo no valor da taxa de recolhimento do lixo, trouxe à tona a questão de novo e, pior, com uma grande decepção: a taxa não baixou e o serviço não melhorou como havia sido prometido lá no início de 2017.
No mês passado, quando tudo parecia estar sob controle, estoura a operação Factótum e, com ela, a questão do lixo veio à tona mais uma vez e, por causa disso, a regularidade do recolhimento do lixo foi afetada de novo, persistindo até o início desta semana, pelo menos. O mais interessante é que, salvo melhor juízo, antes da eleição, ninguém reclamava do serviço de recolhimento do lixo. A não ser por um reajuste indecente, ocorrido em 2013, durante a gestão petista de dezesseis anos, o serviço não apresentou maiores problemas. Então, trata-se de um problema que "surgiu" no início da atual gestão e que, passados dois anos, ainda não foi resolvido e, me parece, tudo porque alguém resolveu implicar com o assunto.
Espero, sinceramente, que, para o bem de todos e felicidade geral dos bajeenses, a questão do lixo não se torne a protagonista desta gestão. Deu! Já passou da hora de colocar um ponto final neste assunto inaugurado pelos mesmos que até agora não conseguiram concluí-lo.

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