ANO: 25 | Nº: 6209

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
27/11/2018 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Por que criticar é mais fácil que apontar soluções?

Pode ser porque parece mais inteligente ver o lado negativo.

Em algum momento de nossa cultura passou-se a condenar o otimismo como sendo uma característica de pessoas com pouco conhecimento ou pobres de capacidade reflexiva.
Para se apontar solução tem que ver a iniciativa do outro com bondade. Sugerir um caminho exige empatia - capacidade de se imaginar no lugar do outro e fazer a pergunta: será que eu faria melhor ou pior que isto?
Seria necessário reconhecer a capacidade alheia. E ser generoso é difícil. Exige formação do olhar para valorizar os outros, desde a formatação do caráter, e isso só se aprende com o exemplo, de casa, da família ou do grupo de convivência.
Por que criticar é mais fácil que apontar soluções? Porque a crítica não compromete, é um pseudoenvolvimento que nada exige, enquanto que dar uma sugestão poderia levar ao "fiasco" da ideia seguida dar em nada. A velha máxima de que é mais fácil ser pedra que vidraça.
Porque quem critica não gosta de ser criticado, quem analisa não gosta de ser alvo de análises.
Sabe quando não é mais possível ficar ouvindo bater na mesma tecla? Quando ouvir os aspectos negativos da vida parece cansativo demais. Talvez por ser um dispositivo usado em demasia.
Sempre que alguém se detém a descrever os defeitos e falhas de alguma ação ou projeto sinto calafrio. Não porque não possa lidar com os lados obscuros ou negativos da crítica, não se trata disso. Até gosto muito de críticas bem elaboradas. Tampouco porque o comentário não veio acompanhado da solução, isto não é surpreendente. É regra. Surpresa é quando uma avaliação sobressai pelos caminhos que aponta. Enxergar apenas um lado, além de cansativo, banal e repetitivo, muitas vezes abala a possibilidade de mudança, pois ceifa na origem da esperança, a capacidade de ver o bem nas coisas. E o calafrio é causado pela crítica gerar o oposto do que deveria. O aspecto positivo da análise crítica é o crescimento. E quando mal feita gera o medo de errar, de se expor, o que tolhe a iniciativa. E temos assim um mundo de pessoas que não fazem para não errar. Da infância à maturidade, abrigados na segurança de não se expor ao erro, à crítica severa que humilha.
Há que se aprender a viver antes de aprender a apontar.
Manda a ética que não se analisa aquilo que não se domina.
Sendo assim, fica minha sugestão: enquanto não encontramos o lado bom da vida não ficar salientando os maus aspectos já é lucro.


"É mais fácil ser pedra que vidraça"

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