ANO: 25 | Nº: 6308
28/11/2018 Cidade

Uma década: Festival de Cinema da Fronteira tem início

Foto: Reprodução JM

Por Júlia Salazart, Paola Manke, Ana Tailise Estevão e Willian Rodrigues
Acadêmicos de Jornalismo da Urcamp


A décima edição do Festival Internacional de Cinema da Fronteira iniciou nesta terça-feira, em Santana do Livramento e em Rivera, no Uruguai, diferentemente dos anos anteriores, em que as exibições eram feitas apenas em Bagé. Na Rainha da Fronteira, o evento começa amanhã e vai até 2 de dezembro.
O Festival Internacional de Cinema da Fronteira surgiu em 2009, inicialmente como uma mostra de curtas, no Centro Histórico Vila de Santa Thereza. O objetivo inicial da mostra era criar uma programação para apresentar o material feito por realizadores locais, que estavam começando a produzir cinema e aproveitar o novo espaço da cidade, que tinha um histórico de resgate cultural. Já no segundo ano, a mostra passou a ser festival nacional e, na quarta edição, passou a ser internacional, aproveitando a proximidade com países vizinhos.
Durante esses dez anos, muitas coisas mudaram e foram evoluindo conforme o evento crescia significativamente. "O festival nasceu pequeno, e logo se tornou internacional, mas sem perder a característica de ter uma raiz local", conta Zeca Brito, principal idealizador do evento.
Realizado pela Associação Pró-Santa Thereza e Centro Histórico Vila de Santa Thereza, neste ano, o festival conta com o financiamento do Ministério da Cultura, via Fundo Setorial do Audiovisual, e do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), com promoção da Secretaria Municipal de Cultura de Bagé e apoio institucional da Urcamp e da Unipampa.
Com a direção artística do cineasta Zeca Brito e curadoria do jornalista Roger Lerina (longas) e dos cineastas Frederico Ruas e Maria Elisa Dantas (curtas), serão exibidos longas e curtas-metragens de mais de 20 países nas mostras competitivas. Nesta edição, vieram de muitos lugares do mundo, inclusive da Espanha, Alemanha, México, Índia e Itália.
E também, cinco filmes longas-metragens estão concorrendo na mostra competitiva de produções latinas e seis passarão fora do circuito, a maioria inéditos. Além das exibições, o festival conta com oficinas, debates e shows musicais. Todas as atrações oferecidas são inteiramente gratuitas.
O evento deste ano também traz uma homenagem especial ao ator gaúcho Leonardo Machado, que faleceu em 28 de setembro, vítima de um câncer no fígado, aos 42 anos. Será exibido um de seus últimos trabalhos nas telonas, "A cabeça de Gumercindo Saraiva", de Tabajara Ruas.
Gabriel Cruz, apreciador do evento, fala da importância do festival para Bagé: "Socialmente ou culturalmente falando, ele movimenta a cidade, traz investimento e pessoas de diversos lugares do País e artistas renomados, e, de certa forma, isso faz com que a cidade seja conhecida de uma forma positiva. O fato de acontecer no Centro Histórico é muito legal porque é um lugar muito bonito e um dos principais pontos turísticos do município, comporta bem as pessoas e as atrações que o festival proporciona".
Zeca, que acompanha toda a trajetória desde o início, por ser parte fundamental da criação do festival, conta que é gratificante perceber o crescimento obtido nesses dez anos. "Vejo que também é um caminho de profissionalização porque durante muitos anos todos nós fomos voluntários do festival e fizemos ele acontecer na garra, na marra. E hoje ele é uma engrenagem que move um monte de gente, e é graças a essa articulação entre universidades, municipalidade, Ministério da Cultura, Secretaria Estadual da Cultura e voluntários", destaca.
E para completar, o diretor falou do sentimento que carrega ao ver a evolução do festival: "Eu me sinto plenamente surpreso porque dez anos atrás jamais iria esperar que tivesse tanto fermento no bolo e ele crescesse tanto. E muito feliz desse bolo ser tão saboroso e a gente seguir podendo prová-lo, cultivando cinema e fazendo o que a gente gosta".

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