ANO: 24 | Nº: 6110

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
01/12/2018 Airton Gusmão (Opinião)

Ele vem morar conosco!

“Conhecemos uma tríplice vinda do Senhor. Entre a primeira e a última há uma vinda intermediária. Aquelas são visíveis, mas esta, não. Na primeira vinda o Senhor apareceu na terra e conviveu com os homens. Foi então, como ele próprio declara, que viram-no e não o quiseram receber. Na última, todo homem verá a salvação de Deus (Lc 3,6). A vinda intermediária é oculta e nela somente os eleitos o vêem em si mesmos e recebem a salvação. Na primeira, o Senhor veio na fraqueza da carne; na intermediária, vem espiritualmente, manifestando o poder de sua graça; na última, virá com todo o esplendor da sua glória” (Dos Sermões de São Bernardo, abade, Séc. XII).
No calendário religioso, encontramo-nos no início de um novo ano litúrgico que marca a caminhada da nossa fé; pois estamos iniciando o tempo do “Advento”, palavra que significa “vinda”, “chegada”, no sentido de espera por algo que deve vir; mais do que isso, esperar por Alguém que deve chegar.
O tempo do Advento tem um duplo aspecto: será advento escatológico e advento natalício. O primeiro compreende o tempo que vai do primeiro domingo do advento ao dia 16 de dezembro; o segundo constitui-se pelas semanas de 17 a 24 de dezembro que apresentam a preparação mais imediata para a festa de Natal.
Assim, o primeiro domingo orienta para a vinda final, o segundo e o terceiro chamam atenção para a vinda cotidiana do Senhor; o quarto domingo prepara-nos para o nascimento de Cristo, apresentando seu sentido e sua história.
Alguns símbolos, gestos e ações simbólico-rituais expressam intensamente a verdade dessa espera em nossas celebrações: a Eucaristia, o sacramento da espera – “até que ele venha”; a Palavra – Advento é tempo especial de escuta, de atenção, de “gravidez” da Palavra; a comunidade reunida para a oração, para a escuta da Palavra e para a ação de graças é sinal sacramental da espera e da chegada do Senhor (Mt 18,20); o Advento é também tempo oportuno de aprofundar e melhorar nossas relações e nossa convivência na família, na comunidade, na vizinhança, como sinal visível da chegada do Reino entre nós.
Somos convidados neste tempo de Advento a participar dos Encontros e Celebrações da Novena de Natal, como costumamos chamar. Com certeza é uma maneira de intensificar a espera e alimentar a esperança da libertação, com cantos, orações, meditação da Palavra, gestos de solidariedade e compromisso com os mais pobres, montagem do presépio e momentos de confraternização.
Neste período de Advento, acontece em todo o Brasil a Campanha da Evangelização, que tem como objetivo despertar para a corresponsabilidade de todos na obra da ação evangelizadora; conscientizar para o compromisso evangelizador e para a responsabilidade de sustentação das atividades pastorais; ajudando assim, a superar uma mentalidade individualista e visão subjetivista da religião; por uma atitude solidária, voltada para o bem comum, propondo a vivência de uma fé adulta, conforme as exigências evangélicas. A Coleta da Campanha da Evangelização acontecerá nos dias 15 e 16 de dezembro.
O Papa Francisco nos pede, neste tempo de Advento, que deixemos ressoar em nossos corações o convite de Isaías: “Eis que virão dias, diz o Senhor, em que farei cumprir a promessa de bens futuros”. “Hoje é preciso que as pessoas sejam testemunhas da misericórdia e da ternura do Senhor, que sacudam os resignados, reanimem os desanimados, acendam o fogo da esperança” (Papa Francisco, 7 de dezembro de 2014).
Vamos organizar o nosso presépio e participar deste tempo litúrgico de Advento, e assim, preparar, esperar e celebrar o Natal cristão. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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