ANO: 25 | Nº: 6262
03/12/2018 Fogo cruzado

Mainardi vai liderar bancada petista no parlamento gaúcho até 2021

Foto: Divulgação

Deputado adianta intenção de criar a 'Plataforma Bagé'
Deputado adianta intenção de criar a 'Plataforma Bagé'

Reeleito para o terceiro mandato na Assembleia Legislativa, Luiz Fernando Mainardi vai liderar a bancada petista, de oposição ao governo de Eduardo Leite, do PSDB, nos primeiros dois anos da próxima legislatura, que inicia em 2019. Em entrevista ao Jornal MINUANO, o deputado estadual revela, ainda, a vontade de centrar ação na defesa das estatais que estão na lista das privatizações, adiantando a proposta de criação do que chama de 'Plataforma Bagé'. A intenção é reunir as pautas de interesse da cidade quem podem ser defendidas no âmbito do parlamento e pela ação parlamentar.


MINUANO - O pleito de outubro serviu como uma espécie de laboratório para mudanças na legislação eleitoral. O financiamento coletivo, que foi utilizado pelo senhor, e o impulsionamento através das redes sociais, ganharam destaque nas estratégias das campanhas, com regulamentações. Qual a sua avaliação sobre esta nova conjuntura?
Mainardi - O fim do financiamento privado foi uma conquista muito importante da democracia. É natural que exista uma transição que vá, aos poucos, consolidando uma cultura de financiamento individual. A ideia de representação precisa ser recuperada também aí. Acho que isso será muito importante para ampliar a democracia e a participação dos eleitores nos mandatos. É preciso, também, que as pessoas entendam que a existência do Fundo Público é uma defesa dos interesses do próprio Estado, que quer governantes que tenham compromisso apenas com o interesse público.
Já o uso das redes sociais é um tema bastante controverso. Nas últimas eleições, vimos que as redes sociais e, particularmente, a ferramenta do WhatsApp, foram usadas com um sentido destrutivo. As chamadas fake news foram preponderantes e geraram uma manipulação sem precedentes da opinião pública. E isso não é uma realidade apenas nacional e internacional. Se pode ver em Bagé, também, em que pessoas pagas com dinheiro público cumprem papel de detratores nas redes sociais, espalhando boatos e repercutindo desinformações. Isso é muito prejudicial para a democracia. Precisamos regular o uso dessas ferramentas, sob o risco de tirarmos legitimidade do processo eleitoral.


MINUANO – Qual será a área de atuação prioritária do novo mandato?
Mainardi - Serei líder do PT nos primeiros dois anos. A função principal de um líder da oposição é fiscalizar e apontar os problemas do governo. Faremos isso. Não com um sentido de criar problemas e/ou dificuldades, mas com um sentido de defesa dos interesses populares.
Veja, agora o governador eleito quer manter as alíquotas de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que, por lei, devem voltar ao patamar anterior a partir de 1º de janeiro de 2019. Isso só terá sentido se houver compromissos muito claro de Leite com a recuperação do financiamento da saúde, com a volta do pagamento em dia para os funcionários públicos, com a volta dos investimentos em segurança, etc... Nossa visão é que os impostos precisam ser usados para melhorar a vida do povo.
Então, atuar com esta responsabilidade me parece que é a prioridade de meu mandato como líder do PT. Sempre apresentando as reivindicações dos que mais precisam, dos mais pobres e pressionando o governo para que responda a essas reivindicações.
Agora, além de líder, sou um deputado com uma base regional forte. Nesse sentido, pretendo criar o que estou chamando de Plataforma Bagé, juntando tudo aquilo que é interesse da nossa comunidade e que pode ser defendida no âmbito do parlamento e pela ação parlamentar, que é mais ampla. Continuarei, por exemplo, defendendo a preservação da bacia do Camaquã; intensificarei meus esforços para manter uma infraestrutura de saúde na cidade condizente com as necessidades da população, apoiando ainda mais a sustentabilidade da Santa Casa; atuarei para que a cidade melhore sua infraestrutura. Enfim, estarei sempre dedicado aos interesses da cidade e da região.


MINUANO – Durante o governo de José Ivo Sartori, o senhor demarcou posição contrária à proposta de privatização de estatais. Esta pauta tende a retornar à pauta a partir de 2019, quando a configuração da Assembleia Legislativa deve ser diferente. Como será feita a articulação contrária às privatizações neste novo cenário?
Mainardi - O novo governador já disse na campanha que não privatizará a Corsan e nem o Banrisul. Não temos porque desconfiar da palavra que ele deu. Se voltar atrás por pressão do governo federal ou de agentes privados perderá credibilidade. Então, vamos centrar a ação na defesa das estatais que estão na lista das privatizações. Penso que temos argumentos suficientes para demonstrar para a sociedade que manter a CEEE (Companhia Estadual de Energia Elétrica), a Sulgás (Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul) e a CRM (Companhia Riograndense de Mineração) públicas é melhor para o desenvolvimento do Estado. O controle das fontes energéticas é uma variável fundamental para praticar políticas de desenvolvimento. E um estado que abre mão de ser um indutor do desenvolvimento, não terá condições de superar a crise pela qual estamos passando. Então, continuo convencido que as privatizações são um erro. Lembro que qualquer delas terá que ser definida por um plebiscito. Estou convencido que nossos argumentos serão compreendidos pela população gaúcha.


MINUANO – O governador eleito, Eduardo Leite, procurou as bancadas de oposição, no início de novembro, para debater a proposta de manutenção da majoração das alíquotas do ICMS. O PT já tempo posição sobre a proposta?
Mainardi - Ainda não definimos uma posição sobre o tema, mas temos discutido na bancada e avançamos muito numa compreensão comum de que o PT precisa cumprir um papel de viabilização dos interesses do povo. Então, embora esteja claro que seremos oposição ao governo do PSDB e aliados, não teremos uma conduta de inviabilização de políticas públicas, se elas forem a favor da população. Como já disse, a população gaúcha quer, por exemplo, que o Estado resolva suas pendências com os repasses na área da saúde, tanto para os municípios quanto para as Santas Casas. Os funcionários públicos, principalmente os que ganham menos, querem voltar a receber os salários em dia. Se a manutenção das alíquotas for acompanhada de alguns compromissos nesse sentido, não há porque nos opormos. O retorno das alíquotas ao patamar anterior não significará diminuição de custo dos produtos. Nunca significa. Então, é melhor que esse dinheiro seja usado para resolver os problemas do povo. Agora, caso não existam compromissos claros, não há porque a bancada assumir a defesa dos interesses do governo.


MINUANO – O senhor já adiantou que a bancada do PT deve assumir a postura de ‘oposição responsável’. O que representa, na prática, esta caracterização?
Mainardi - Creio que já respondi em parte a essa pergunta. O que chamo de “oposição responsável” é o tipo de oposição que é feita por um partido que já foi governo, que já precisou enfrentar o desafio concreto e real de gerir um estado em crise. Nós sabemos como fazer e por isso sabemos o que é melhor fazer. Se o governo sugerir coisas que apontem para o melhor caminho, não tem porque nos opormos. Assim, como saberemos identificar quando as propostas vierem para piorar a vida do povo. Veja, não se trata de concordarmos ou apoiarmos o governo do PSDB. Sabemos que temos divergências com esse partido sobre vários aspectos. Por isso, seremos oposição. Vamos denunciar as políticas que em nosso ponto de vista forem erradas, mas consideramos possível que, eventualmente, o governo sugira alguma coisa positiva. Quando fizer isso, contará com o apoio da bancada.

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...