ANO: 25 | Nº: 6458
05/12/2018 Cidade

Intercâmbio de saberes consagra o Festival Internacional de Cinema da Fronteira

Foto: Rafael Berlezi/EspecialJM

"Tivemos a preocupação de mostrar a produção audiovisual jovem", disse Roger Lerina, curador do evento
Por Hallana Oliveira, acadêmica de Jornalismo da Urcamp

A edição em comemoração aos 10 anos do Festival Internacional de Cinema da Fronteira chegou ao fim no domingo passado, mas os saberes compartilhados, a união e o contato com produções latinas e internacionais proporcionado a todos os participantes o consagrou como uma das maiores atividades artísticas no ato de romper fronteiras.
O desafio era grande, garante um dos curadores do festival, jornalista Roger Lerina, que, em conjunto com Frederico Ruas, selecionou longas internacionais que contemplasse as vertentes as quais o festival defende nesses dez anos de existência. "Tivemos a preocupação de mostrar a produção audiovisual jovem, de novos realizadores e de diretores que estão buscando uma linguagem cinematográfica mais avançada, reflexiva e ligada com os temas da contemporaneidade", cita.
Partindo desta perspectiva, no festival, foi possível assistir, em primeira mão, "Rasga Coração", com direção de Jorge Furtado. O filme é uma adaptação da peça "Rasga Coração", de Oduvaldo Vianna Filho, entre os anos de 1972 e 1974, e conta a realidade brasileira da época. "O Jorge fez uma adaptação interessante trazendo a trama para a nossa época e mantendo as problemáticas levantadas pelo Vianinha", salienta o jornalista.
Com mais de 28 anos de carreira e 35 filmes e séries lançadas, o diretor, roteirista e cineasta Jorge Furtado comenta o filme que acabou de lançar e fala sobre a importância de se debater obras com temas atuais. "O meu filme mais conhecido é o curta metragem 'Ilha das Flores', mas eu gostaria de destacar o 'Rasga Coração', que eu acabei de fazer e que eu acho um filme importante para esse momento do Brasil, porque fala de questões políticas, da necessidade de tolerância, entender e ouvir o outro, que é uma coisa que está faltando", salienta.
Além desta obra, foi exibido o filme "Meio Irmão", de direção de Eliane Coster. É uma trama que fala de uma temática conhecida pela maioria dos brasileiros. Uma jovem mora com a mãe, que sumiu e deixou a personagem principal em casa na periferia de São Paulo, o que leva a jovem a ir atrás do meio-irmão, que é negro e também tem uma situação problemática com a mãe. "Esses dois adolescentes vão ter que estabelecer essa conexão entre eles e com o mundo para enfrentar uma realidade difícil, e que infelizmente é o dia a dia de muita gente no País", comenta Lerina.
As duas obras citadas fazem parte de uma seleção criteriosa de cinco longas-metragens que competiram na Mostra Internacional de Longas-Metragens do festival, são eles: "Cuadros en la Oscuridad", de Paula Markovitch, da Argentina, "Humberto Mauro", de André di Mauro, do Brasil, e o "Labirinto da Saudade", de Miguel Mendes, de Portugal, que levou o prêmio de Melhor Filme. O ensaio em tom documental fala sobre a essência do povo português interpretado e narrado pelo escritor e filósofo Eduardo Lourenço. Retrata quem são, o que fizeram, que atrocidades cometeram e quais caminhos podem seguir, construindo uma reflexão cultural e histórica da nação.
Segundo o curador do festival, todas essas obras possibilitam ao público, do ponto de vista cultural, "estabelecer nexos, conhecer outras realidades, outro mundo, povos e culturas e perceber que não estamos sozinhos", completa Roger Lerina.

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