ANO: 25 | Nº: 6261

Fernando Risch

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Escritor
07/12/2018 Fernando Risch (Opinião)

Imagine se fosse o contrário

Imagine se fosse o contrário. Se fosse aquele outro lá que fizesse isso. Imagine o que você não estaria fazendo. Ia ter passeata, cara pintada, gritos berrados e o que mais a criatividade deixasse. Tudo posso no Judas que jogo pedras, é o mantra padrão. Vale tudo.

Agora, imagine só você, se fosse o contrário. Os amigos do rei com a corda ao pescoço. O homem do pila com o bíceps do fisco a enforcar-lhe num mata leão. Eu nem imagino o que você faria. Mas eu te entendo. Eu também sentiria isso que você sente agora. Tem um nome no dicionário para esse sentimento, só não me recordo qual é. Os argentinos chamam de vergüenza. Em português deve ser algo por aí.

Eu fico pensando se é o filho do outro lá que brinca de banco imobiliário com o motorista, repassando dinheiro para cá e para lá, até cair no colo da primeira dama. Opa, primeira dama não. Futura. Eu fico pensando e imaginando. Sei, também, que o projeto não era esse, era o oposto. Mas todo mundo avisou. Estava escrito nas estrelas. Era só saber ler. Ou ouvir. Ou interpretar. Ou todos ao mesmo tempo. Ou apenas não odiar tanto.

Opa, mas calma lá. Talvez eu esteja sendo leviano demais. Pode ser que eu esteja enganado. Pode ser que tudo seja apenas um mal entendido e que se resolverá da melhor forma possível, pacífica e impune. Ou talvez não. Talvez eu, tu, nós, vós - mas eles não - comamos o pão que o diabo amassou, temperado com aglutinogênios A e B. Vai saber.

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