ANO: 26 | Nº: 6590
08/12/2018 Cidade

Bagé pode ganhar Centro de Intervenções Precoces para Crianças Autistas

Foto: Vitor Garcia/Especial JM

Estudo foi apresentado ao prefeito Divaldo Lara
Estudo foi apresentado ao prefeito Divaldo Lara

O governo municipal anunciou, sexta-feira, que trabalha com o objetivo de qualificar a educação escolar, buscando identificar situações pontuais a serem melhoradas. Uma delas, segundo a divulgação, é a pesquisa que vem sendo desenvolvida na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Marianinha Lopes, que apresenta, dentro da rede municipal, um número expressivo de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Segundo dados da secretaria, o município possui cerca de 30 crianças diagnosticadas com TEA na Educação Infantil. Porém, ainda há um número expressivo de alunos encaminhados e sendo avaliados. Para a diretora da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Marianinha Lopes, Fernanda Furtado, a instituição ser o embrião deste estudo auxilia no desenvolvimento de um olhar mais atento. "Nós conhecemos e detectamos a evolução de cada aluno em sala de aula, porém, com a realização do estudo aqui na Emei, nós estamos conseguindo despertar um olhar ainda mais atento para as nossas crianças", comenta a diretora.
A pesquisa desenvolvida pela Secretaria Municipal de Educação e Formação Profissional (Smed) tem como parceiros a Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) e a Universidade do Ninho, de Portugal. Segundo a coordenadora de Educação Inclusiva da Smed, Mara Rúbia Rosa, o projeto consiste estudo iniciado, há mais de 20 anos, em Portugal. "Em 2014, a Ufpel adaptou o estudo para a construção do centro e, hoje, nossa cidade é uma das pioneiras na exploração do assunto, enfrentamento e desenvolvimento do centro", afirma Mara Rúbia.

Dentro do processo de pesquisa, duas professoras que realizam Atendimento Educacional Especializado (AEE) participam como mediadoras. São elas: Valéria Borba e Andréia Silveira. As educadoras reforçam a importância do acompanhamento precoce. "Nós buscamos, na família e na escola, subsídios para que possamos criar estratégias baseadas na necessidade da criança. São planejamentos executáveis e que dentro do período que estamos aplicando já nos trouxeram resultados significativos no desenvolvimento dos assistidos", ressalta Andréia.
Já para Priscila Alves, mãe do Enzo, de cinco anos, um dos avaliados na pesquisa, o desenvolvimento de seu filho é motivo de muita alegria e orgulho. "Desde que o Enzo começou a ter acompanhamento, é notório o desenvolvimento dele em casa, nas brincadeiras, nos jogos onde exige uma concentração maior e na fala, pois ele tinha uma dificuldade muito grande em se comunicar e hoje a gente já consegue entender o que ele tenta expressar. Estou muito feliz, pois ele já havia passado por outras instituições de ensino e não houve uma evolução tão significativa como a que tivemos aqui", relata.

Uma luta pelo desenvolvimento

Com a avaliação das pesquisadoras e o apoio do governo municipal, deve iniciar, neste mês, o trabalho de construção do projeto para a criação do segundo Centro de Intervenção Precoce para Autistas no Rio Grande do Sul. O primeiro está localizado na cidade de Pelotas e, segundo a pesquisadora da Ufpel, Rita Cossio, iniciou atendendo 80 crianças em 2014 e, hoje, ampliou significativamente seus serviços. "Nós iniciamos o estudo e adaptamos o projeto desenvolvido na Universidade do Ninho para a cidade de Pelotas, que iniciou o trabalho com 80 atendimentos e hoje acolhe cerca de 300 crianças", conta.

Para a secretaria de Educação e Formação Profissional, Adriana Lara, agora é o momento de buscar aporte e transformar o projeto em realidade. "Estamos na fase de construção do projeto com estruturação e viabilização. Vamos trabalhar para que, já em 2019, este centro seja uma realidade para alunos autistas e suas famílias", frisa a secretária. O espaço deve conter atendimento profissional na área da Educação e da Saúde, bem como professor do AEE, psicopedagoga, psicomotricista, terapeuta ocupacional, fonoaudióloga e psicóloga. Em relação à estrutura, o prédio deve conter, pelo menos, seis salas para acomodar os profissionais e uma sala sensorial.

O prefeito Divaldo Lara comenta que, após a conclusão do projeto, o objetivo é garantir recursos federais para viabilizá-lo. "Esse projeto será viabilizado por emendas. A iniciativa faz parte de uma política pública municipal voltada para pessoas com deficiência onde já realizamos diversas ações na área da saúde, como a aquisição de uma Van adaptada para deficientes físicos entregue a comunidade há poucos dias, também na área do lazer e esporte com as paraolimpíadas, e desde o início do ano passado nossas professoras iniciaram a pesquisa que tanto agrega na educação dos jovens da nossa cidade. A criação do centro possibilitará atender meninos e meninas com TEA da nossa cidade. É um grande ganho para a comunidade e a garantia do desenvolvimento das nossas crianças", afirma.

O governo municipal conta, ainda, com o apoio da futura primeira-dama do Brasil, Michelle Bolsonaro, que possui afinidade com causas ligadas à comunidade surda, pessoas com deficiência e portadores de síndromes.

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