ANO: 25 | Nº: 6359

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
08/12/2018 Marcelo Teixeira (Opinião)

Meus heróis

Assim como disse o general Mourão, vice-presidente da República Federativa do Brasil, recentemente eleito e ainda não empossado, "meus heróis não morreram de overdose". Quase todos já morreram, mas os da ficção, por exemplo, ainda vivem. Estão vivos na minha memória os super-heróis que inspiraram a minha infância e que foram fundamentais para construir minha personalidade, eleger os meus valores mais caros, enfim, estabelecer uma meta, um rumo, um objetivo, um caminho a seguir, mesmo que eu mal soubesse na época que quase tudo aquilo era utópico ou ilusório.
Até a ciência admite que ídolos, modelos, heróis etc, são determinantes não só para construir a personalidade de seus fãs e admiradores, mas, também, para ajudar a estabelecer padrões éticos de convívio e de relevância da coletividade.
Esaa consciência de que tudo não passa de fantasia a gente demora a atingir, mas por muito tempo a gente acredita piamente que é possível se tornar um herói, perfeito, irretocável,  inatacável, amado pelos bons e temido pelos maus. Até que a maturidade nos revela que não existem super-heróis, mas aí já é tarde demais. Já estamos irremediável e irreversivelmente contaminados pelo bem, pelos bons propósitos daqueles que nos inspiraram. E essa descoberta costuma não trazer decepções, pois mesmo consciente de que tudo aquilo era uma ilusão, não nos sentimos enganados ou iludidos, pois tudo isso raramente faz mal a alguém.
Descobrir que heróis não existem e que as imperfeições são inerentes à nossa condição humana, faz parte do processo de  amadurecimento.  Minhas  experiências  religiosas  foram muito importantes  para a compreensão deste fenômeno de que as imperfeições são ou podem ser tão admiráveis quanto as virtudes de alguém e, neste particular, a figura bíblica de Pedro foi determinante. O fato de ter negado a amizade com Jesus três vezes antes de o galo cantar e, mesmo assim, contar com a confiança inabalável do filho de Deus é, para mim, emblemático desta riqueza das nossas fraquezas e de que isso pode ser infinitamente pequeno diante de nossas virtudes e talentos.
Por isso, tanto Jesus como Pedro também são meus heróis e, para isso, foi fundamental conhecer e entender a bela relação que eles tiveram e que resistiu a todas as dificuldades que enfrentaram. Jesus não se importava com as imperfeições de Pedro, que não eram poucas. Agindo assim nos ensinou a amar não só com suas palavras, mas principalmente com suas atitudes. Reconhecer as fraquezas de nossos heróis é importante não só para aceitarmos as nossas próprias fraquezas como, também e principalmente, aceitar as fraquezas e defeitos dos outros, sem que isso se torne um obstáculo para que possamos amá-los. Então, tão importante quanto ter bons exemplos  a seguir é descobrir que mesmo os bons exemplos não são perfeitos e mesmo assim não deixam de ser merecedores de nosso respeito e bem querer.

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