ANO: 25 | Nº: 6209

Rochele Barbosa

rochelebarbosa@gmail.com
Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
10/12/2018 Caderno Minuano Saúde

Recarregue sua vida: aparelhos auditivos modernos auxiliam na redução da surdez

Foto: Divulgação

CAPA
CAPA

A deficiência auditiva foi considerada como uma doença severamente incapacitante por muitos séculos. A fim de minimizar seus efeitos, sistemas de amplificação sonora vêm sendo desenvolvidos e aprimorados, sempre visando a uma melhor qualidade da comunicação do portador de surdez. Em quase todos os casos de perda auditiva, há como melhorar substancialmente a qualidade de vida do individuo, seja através de tratamento clínico, cirúrgico ou através do uso de aparelhos de amplificação sonora. O uso do aparelho auditivo, para muitos, ainda é um tabu.
Em média, uma pessoa leva cerca de seis anos para procurar o auxílio do dispositivo, sendo a falta de informação e o preconceito as principais causas para que haja um grande número de pessoas sem o tratamento adequado. Com a expectativa de vida aumentada, pessoas com 60 anos ou mais trabalham, participam de atividades sociais, viajam e estão se engajando no mundo da tecnologia com seus smartphones e nas redes sociais. A comunicação, dessa forma, se torna primordial e a audição afetada e não tratada muda completamente suas rotinas.

A Siemens/Signia, empresa mundialmente conhecida, que atua no desenvolvimento de novas tecnologias relacionadas à audição, lançou, recentemente, os aparelhos Cellion Px e Pure Charge&Go Nx, que além de inovações tecnológicas para a qualidade do som da própria voz, aumento das habilidades auditivas para entender uma conversa em ambiente ruidoso, também inovam no lançamento desses, que não necessitam de pilhas/baterias. Possuem uma confiável bateria de íons de lítio de alta capacidade, com carregamento por indução,que proporciona até dois dias de uso regular com uma única carga, para que o usuário não precise se preocupar com a falta de pilhas repentinas.

Nessa edição, a fonoaudióloga Kátia Scherer Canhada fala sobre novos aparelhos que auxiliam no tratamento auditivo.

Aproveite o verdadeiro som da vida

Kátia relata que seja em casa, em uma reunião familiar, em uma loja ou no restaurante, manter uma conversa em qualquer ambiente ruidoso exige esforço e concentração. “Se esforçar para ouvir a fala nessas situações é cansativo, um fato comum até mesmo para as pessoas com a audição normal”, explica.

Com os recursos avançados do Speech Master e Speech Quality, que monitoram constantemente o que o usuário está ouvindo, focam os aparelhos automaticamente no que o interlocutor está falando, enquanto reduz as vozes e os ruídos indesejáveis à sua volta, tornando a comunicação efetiva, ouvindo de maneira mais clara, argumenta a especialista.

Outra queixa comum encontrada em pessoas que usam aparelhos, é o som da sua própria voz que soa de forma pouco natural e muito alta, acrescenta a fonoaudióloga. “Para isso, o OVP (Own Voice Processing) proporciona uma audição mais natural da própria voz com a audição otimizada de todos os outros sons do ambiente, uma experiência auditiva natural e prazerosa”, destaca Kátia.

A profissional ainda diz que, considerando que os exames audiométricos tradicionais fornecem somente informações básicas sobre as habilidades auditivas do indivíduo, é imprescindível avaliar as dificuldades de comunicação, as consequências sociais e emocionais da perda auditiva, para tanto, podemos utilizar o Hearing Handicap Inventory for the Elderly – Screening Version (HHIE-S), elaborado por Ventry e Weinstein, 1982, traduzido e adaptado para o português:


O questionário a seguir contém 10 perguntas.

Você deverá escolher apenas uma resposta para cada pergunta, assinalando um x naquela que julgar adequada a seu caso ou situação. Algumas perguntas são parecidas, mas, na realidade, têm pequenas diferenças, as quais permitem melhor avaliação das respostas. Não há resposta certa ou errada. 

1- A dificuldade de ouvir faz com que você se sinta constrangido ou sem jeito quando é apresentado a pessoas desconhecidas?

( ) sim ( ) às vezes ( ) não

2- A dificuldade de ouvir faz com que frustrado ou insatisfeito ao conversar com pessoas de sua família?

( ) sim ( ) às vezes ( ) não

3- Você sente dificuldade em ouvir quando alguém cochicha?

( ) sim ( ) às vezes ( ) não

4- Você se sente prejudicado por causa do seu problema auditivo?

( ) sim ( ) às vezes ( ) não

5- A redução da audição lhe causa problemas quando visita amigos, parentes ou vizinhos?

( ) sim ( ) às vezes ( ) não

6- A dificuldade de ouvir faz com que você vá a templos religiosos menos vezes do que gostaria?

( ) sim ( ) às vezes ( ) não

7- A dificuldade de ouvir faz com que você tenha discussões ou brigas com sua família?

( ) sim ( ) às vezes ( ) não

8- A redução da audição lhe causa problemas quando você assiste à TV ou ouve o rádio?

( ) sim ( ) às vezes ( ) não

9- Você acha que a dificuldade de ouvir limita sua vida pessoal ou social de alguma forma?

( ) sim ( ) às vezes ( ) não

10- A redução da audição lhe causa problemas quando você esta num restaurante com familiares e amigos?

( ) sim ( ) às vezes ( ) não

 

Este questionário deve ser aplicado antes do programa de reabilitação e ao longo dele, para que seja possível avaliar o grau de satisfação no tocante ao uso dos aparelhos auditivos.

Qualquer pessoa com dificuldades decorrentes da perda da audição é candidato em potencial ao uso de aparelho auditivo, salienta Kátia. “A procura pelo médico Otorrinolaringologista e um fonoaudiólogo experiente é imprescindível para uma boa adaptação”, ressalta.

Estudos de pesquisadores, no Brasil, investigaram as possíveis causas de rejeição do aparelho. Entre elas, destacam-se:

- custo elevado;

-práticas enganadoras de vendedores inescrupulosos;

- preocupação com o barulho excessivo;

- dificuldades de manipulação (principalmente da troca de pilhas);

- desconhecimento de onde obter um aparelho de amplificação.

“É fundamental garantir um período de experiência domiciliar com o modelo selecionado (em caráter de empréstimo), durante o qual poderão ser feitas alterações nas características eletroacústicas, para melhor adaptação”, complementa.

O fonoaudiólogo, ao voltar seu olhar para o idoso com dificuldades auditivas, procurou encontrar respostas que explicassem o abandono do uso dos aparelhos de amplificação. O caminho encontrado para alcançar tal propósito foi ouvir o indivíduo. Assim, ambos transformaram-se em elementos ativos na busca do enfrentamento a esse inimigo, que tanto compromete a vida de cidadãos, minimizando impactos sociais, emocionais, culturais e econômicos gerados por ele. Por meio de uma reabilitação auditiva de excelência, é possível combinar avanços tecnológicos da ciência com humanitarismo e a arte, sobretudo valorizando a pessoa idosa e tratando-a não como fardo ou encargo, mas como verdadeiro patrimônio.

Mais imagens

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...