ANO: 25 | Nº: 6386
10/12/2018 Editorial

Sinal de alerta

O setor de segurança pública do Rio Grande do Sul vive um momento de tensão. E isso não é relativo a questões estruturais ou escassez de investimentos, que vez ou outra se apresentam frágeis. Mas não é disso que consiste o atual momento. Ele é mencionado, pura e simplesmente, pela audácia de criminosos.
Na semana anterior, um grupo fortemente armado ocupou os holofotes da mídia estadual. Eles foram responsáveis por uma série de assaltos em agências bancárias, de Ibiraiaras e Três Palmeiras, em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. Em ambos os casos, que culminaram em confrontos com policiais, pessoas sendo feitas de reféns, cidadãos sendo usados de escudos e, ainda, mortes, se evidenciou que, independentemente do perigo de perderem a vida nos roubos, os criminosos, aparentemente, pouco se importam. Na teoria, entendem, ou deixam crer desse modo, que a recompensa vale a pena.
Para se ter uma ideia, o grupo responsável por tais fatos tinha, em sua posse – o que foi revelado ao longo das investigações posteriores – mais de R$ 115 mil, além de vasto material para ser utilizado a cada crime. Não apenas armas "pesadas", de uso até mesmo restrito, mas munição de sobra e dispositivos para atrapalhar qualquer perseguição. Ou seja, podem ser considerados especialistas, por assim dizer, em tais ações delituosas.
E esta situação, para ser claro, não se resume a tais casos. Ao longo do final de semana, um grupo de oito acusados de planejar ataques a caixas eletrônicos foi preso. Por eficiência das forças de segurança, todos acabaram sendo detidos antes de cometerem tais crimes. Isso foi preponderante, ao menos, para manter um estado de calmaria junto à comunidade local. Até porque, claro, caso fosse o contrário, o cenário seria de instabilidade. Mesmo com prisões posteriores.
Ao mesmo tempo em que é necessário exaltar a atuação dos agentes envolvidos na desarticulação de tais grupos, é preciso acender o sinal de alerta. Pelo que se percebe, a criminalidade tende a crescer. Mas se ações forem inibidas, do mesmo modo como em Bagé, antes de vir a ocorrer, ao menos, um importante recado será dado, de que a impunidade não prevalecerá.

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