ANO: 25 | Nº: 6209

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
11/12/2018 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Arrumando a casa para o Natal

Este é um hábito que cresci assistindo meus pais e avós cultivando. Com muito empenho, cuidado e alegria, o mês de dezembro parecia impor uma necessidade de organização maior do que eu imaginava necessário. É um mês igual a todos os outros, pensava eu, não entendendo o porquê de tanto trabalho extra. Pintura, pequenas reformas, reparos e consertos, faxina detalhada, além, é claro, dos arranjos e enfeites de Natal.

Hoje consigo perceber com um pouco mais de clareza a sutileza e simbolismo do gesto de arrumar a casa, ou seja, se preparar para o novo. Existem ações externas que têm um equivalente interno. Simultaneamente, enquanto organizamos a bolsa, carteira ou uma gaveta cheia de papéis que fomos acumulando em um dado período estamos colocando em ordem também nossa cabeça, nosso pensar e sentir. Da mesma forma, limpar o quarto, arejar o guarda-roupa, mexer com a disposição dos móveis e objetos da casa nos tira da zona de conforto anestésica do dia a dia.
Fazendo uma analogia significativa, ao final de cada ciclo, é muito importante parar e avaliar os danos, desgastes e iniciar o processo de reciclagem. É tempo de restaurar o que foi danificado, dar nova utilidade ao que está ali há muito tempo e descartar o que não tem mais condições de estar em nossas vidas, pois o acúmulo de coisas e sentimentos adoece os ambientes e as pessoas. Chegar à conclusão do que deve ser disposto em cada uma dessas categorias exige uma parada, reflexão, uma pequena ou grande faxina, física e mental. Tal parada não é fácil de ser cultivada e percebida, principalmente em tempos onde ter disponibilidade para o que for parece quase impossível. Antes de um novo momento chegar, é importante criar espaços, arejar a casa e a própria alma para os grandes e pequenos renascimentos que o transcorrer do tempo vai nos proporcionar.
O Natal simboliza a renovação e nascimento das coisas boas que queremos em nossas vidas, precede o encerramento do ano e a chegada do novo, portanto que a sabedoria da antiga tradição nos traga inspiração e disposição.

 

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