ANO: 25 | Nº: 6334

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
15/12/2018 Airton Gusmão (Opinião)

O que devemos fazer para experimentar a alegria do Natal?

“A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele e são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, a alegria renasce sem cessar” (A Alegria do Evangelho, nº 01).
Chegamos ao terceiro Domingo do Advento, conhecido como o domingo da Alegria: “Alegrai-vos, o Senhor está próximo” (Fl 4,4-7). O Natal do Senhor se aproxima e já produz em nós o fruto da alegria, pois a expectativa da vinda do Senhor é motivo de alegria.
Não se trata de uma alegria superficial, passageira, pois a alegria evangélica apela para o empenho e a participação pessoal, expressos na pergunta do povo, dos cobradores de impostos e dos soldados no evangelho deste domingo: “O que devemos fazer?” (Lc 3,10-18).
Precisamos nos sentir inquietos com a proximidade de Jesus e nos perguntarmos se alguma atitude, gesto, palavra, ação, precisa ser revista, avaliada, para que sua chegada possa ser causa de salvação para todos nós. Pois, nenhum de nós está com a vida totalmente em ordem a ponto de não precisar de uma revisão, conversão, mudança de rumo. Por isso, precisamos nos perguntar: o que devemos fazer?
A proposta de João Batista às perguntas que lhe fazem não é a simples observância de algumas normas, mas sim a prática do mandamento do amor concretizado no cotidiano, nas relações pessoais e profissionais, no uso discreto e respeitoso de qualquer função pública; ou seja, uma vivência autenticamente humana, baseada em valores éticos, como a solidariedade, a justiça, a partilha, a comunhão dos bens, o não abuso do poder.
 É a orientação de João como resposta aos apelos de conversão: a partilha dos bens e alimentos com os necessitados (quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo); a honestidade e a justiça (não cobreis nada mais do que foi estabelecido); e a renúncia ao mal uso do poder, da autoridade e o controle da cobiça (não maltrateis a ninguém; não façais denúncias falsas e contentai-vos com o vosso soldo).
Falando sobre algumas características da santidade no mundo atual, o Papa Francisco em sua Exortação Apostólica sobre o chamado à santidade, cita como uma delas, a alegria e sentido de humor.
Sobre essa alegria cristã o papa diz que “ser cristão é a alegria no Espírito Santo, porque do amor de caridade, segue-se necessariamente a alegria. Pois quem ama sempre se alegra na união com o amado. Daí que a consequência da caridade seja a alegria” (nº 122).
 E nós o que devemos fazer? Em sua exortação apostólica, o papa continua dizendo: “Não estou falando da alegria consumista e individualista muito presente em algumas experiências culturais de hoje. O consumismo só atravanca o coração; pode proporcionar prazeres ocasionais e passageiros, mas não alegria”.
Francisco continua: “Refiro-me antes, àquela alegria que se vive em comunhão, que se partilha e comunica, porque ‘há mais felicidade em dar do que em receber’ e ‘Deus ama quem dá com alegria’. O amor fraterno multiplica a nossa capacidade de alegria, porque nos torna capazes de rejubilar com o bem dos outros” (nº 128).
E nós o que devemos fazer para experimentar a verdadeira alegria do Natal? Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem.
Neste domingo, dia 16 de dezembro, nos alegramos com a acolhida e posse do nosso novo Bispo, Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco. A missa desta acolhida e posse será às 17 horas, no Colégio Franciscano Espírito Santo. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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