ANO: 25 | Nº: 6334

Observatório da Mídia

20/12/2018 Observatório da Mídia (PAUTA ESPECIAL - Curso de Jornalismo)

A luta é grande, mas o espaço ainda é pequeno

por Jéssica Velleda

Acadêmica de Jornalismo da Urcamp

Que a luta pela diversidade não é novidade nós sabemos disso, mas e como a mídia trata tudo isso? Eu poderia começar escrevendo essa coluna com a minha simples opinião. Mas acredito que apenas aqueles que sentem na pele e vivem estas situações podem realmente se posicionar. E é exatamente por isso que resolvi conversar com amigos que enfrentam diariamente esta batalha, e, neste debate, todos concordam que a lacuna ainda é grande, seja ela com LGBTQS, seja ela com negros, seja ela com classes menos favorecidas.
Muitas vezes, a forma diferenciada de abordagens de textos e títulos é o que, de certo modo, atrapalha a luta por espaço. Enquanto a mídia não parar de tratá-los como um grupo especial, as pessoas vão continuar lhes tratando também de maneira diferenciada.
O que acontece é que essas classes, mesmo que já tenham conquistado muito nos últimos tempos, ainda não possuem a representatividade merecida, seja na mídia jornalística ou seja na mídia de entretenimento. Muitos veículos simplesmente acabam pecando por falta de preocupação, seja com o dia a dia destes grupos, com a violência e preconceito sofrido, ou até mesmo com as mortes, porque, de certa forma, no fim do dia, serão apenas números. E no entretenimento acontece o mesmo; apesar de ter evoluído, ainda se tem um longo caminho pela frente. Temos os exemplos das novelas, em que, de certa forma, eles procuram causar polêmica e audiência, como, por exemplo, em cenas de beijo gay.
Na questão racial não é muito diferente. Quantos negros são vistos nas novelas? Quantos possuem o papel principal? Quantos são simples empregados? Ou mesmo no jornalismo, quantos são repórteres de TV ou quantos são âncoras de telejornais? Isso tudo em um país com grande parte da sua população sendo afrodescendente.
Precisamos fazer com que a sociedade entenda, cada vez mais, que não importa cor, não importa opção sexual. Infelizmente, o preconceito ainda é muito presente e a mídia, com o poder que possui, deveria ajudar a desconstruir esta realidade.

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