ANO: 26 | Nº: 6543

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
20/12/2018 João L. Roschildt (Opinião)

Lugar de asneira

Kéfera Buchmann foi protagonista de uma discussão sobre feminismo. Quem? Kéfera Buchmann. Ou, simplesmente Kéfera. Mas quem é essa pessoa? Como vive e do que se alimenta?

Kéfera é uma youtuber de 25 anos, que não saiu da adolescência. Uma típica representante de uma geração mimada e que não amadureceu, mas soube muito bem aproveitar os louros da fama: é atriz (alguém acredita?) da Rede Globo e já publicou livros (isso é uma piada?) que são verdadeiros best-sellers. Para se ter alguma ideia, até 2017, Kéfera vendeu mais de 700 mil exemplares de seus dois primeiros livros. Obras com uma linguagem pobre e infantilizada, que encontram ecos em jovens sedentos pela desorientação.

Como seu foco é “causar”, a atriz (?) vegetariana, que já posou deitada com uma vaca em uma feira agropecuária para criticar os maus-tratos sofridos pelos animais, resolveu “lacrar”, na última semana, no “lacrador” programa “Encontro com Fátima Bernardes”. Fátima, ao estabelecer o debate sobre o tema do feminismo, permitiu que um integrante da plateia, Wallace, externasse seu ponto de vista. Eis que ele ousou tecer pequenas críticas sobre as discrepâncias entre teoria e prática do movimento feminista. Para tanto, apontou alguns exemplos empíricos sobre alguns exageros (típicos) dessa visão de mundo. Kéfera ouviu atenta a exposição. Como a youtuber sabe que o ambiente do programa é bastante receptivo a toda espécie de “lacração”, mesmo que carente de racionalidade, e também é consciente do número de likes que frases de efeito desprovidas de sentido podem gerar, partiu para o ataque: “Wallace, o que você está fazendo é mansplaining, que é o homem explicar o feminismo para a mulher; não é necessário, a gente sabe muito bem o que é feminismo e a gente entende seu ponto de vista, só que é desnecessário”. Arrancou aplausos efusivos da plateia. Após isso, Fátima retornou com o microfone para que Wallace dialogasse com sua convidada. O rapaz, de forma educada, tentou dizer que não queria explicar o feminismo. Kéfera, comportando-se como “adultescente” que não pode ouvir “não”, interrompeu: “Agora você tá manterrupting, que é quando você tenta interromper uma mulher explicando o feminismo pra vocês”. Aplausos. Urros. “Wallace, entenda: não é o seu lugar de fala”, acrescentou. Mais aplausos.

Wallace não explicou nada e não interrompeu ninguém (foi interrompido). Kéfera, no auge da prepotência que a fama virtual lhe outorga, inventou uma narrativa para beneficiar sua causa. Disse que Wallace não estava em seu lugar de fala, ou seja, não estava no lugar social que as mulheres ocupam para poder se pronunciar sobre os temas das mulheres. Lugar de fala é a grande nuvem de fumaça esquerdista para afirmar que só é lícito falar de algo se houver compartilhamento das grandes pautas progressistas. Se houver discordância, a teoria “ensinará” que os discursos antagônicos reforçam as estruturas de poder racial, patriarcal, capitalista...

A “influenciadora” digital Kéfera mal sabe disso. Só sabe repetir clichês esquerdistas e manter na menoridade da razão um público com imaturidade intelectual. Formará novas “Kéferas”, que tentarão acabar com a existência de “Wallaces”. Mas, seguindo essa onda, caso alguém critique esta coluna, alegarei ser alvo de baldsplaining ou de baldterrupting. Ainda há esperança.

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