ANO: 24 | Nº: 6185
21/12/2018 Universo Pet

A acessibilidade e a opção pela vida

Foto: Tiago Rolim de Moura

 

O primeiro cachorro adotado por Ingrid Pires Brandstetter foi o Chopp. O lhasa chegou ao novo lar após ser rejeitado por três famílias. Ingrid conta que ninguém conseguiu se adaptar a ele. Nas duas primeiras adoções, os tutores moravam em apartamento e não tinham muita disponibilidade para cuidar do pet. Na terceira casa, o animal ficava preso em um pátio.
Então, Ingrid e o esposo decidiram ter um novo integrante na família. Ela conta que, no início, a adaptação foi difícil e lembra que Chopp era muito “rebelde”. Ele tinha cerca de dois anos quando foi adotado. A vendedora lembra que ele não sabia os locais corretos para fazer as necessidades fisiológicas e não obedecia aos comandos dos tutores.
Chopp também foi o responsável pela destruição de um colchão e algumas roupas. Agora com nove anos, ele já aprendeu algumas regras da casa e vive tranquilamente com o casal, que optou por recebê-lo em casa.
Há dois anos, a família cresceu. Ingrid, que ainda morava em Pinheiro Machado, presenciou um acidente quando saía para trabalhar. Ela viu uma cadelinha que atravessava a rua ser atropelada por uma caminhonete que trafegava em alta velocidade.
Ingrid diz que acompanhou quando Mel — que só recebeu esse nome mais tarde — foi arremessada para longe do automóvel. Ela foi até o animal e percebeu que ele estava vivo, apesar de bem machucado.
A cadela foi levada para uma veterinária, onde foi medicada. Ingrid decidiu cuidar dela em sua casa. A tutora lembra que o fato aconteceu em junho, em uma época de baixas temperaturas. A tutora usava uma bolsa térmica para ajudar a aquecer Mel e acordava durante a madrugada para ver se a pet estava bem.
Ela lembra que algumas amigas também colaboraram nos cuidados com o animalzinho. Após dois meses, Ingrid conseguiu juntar dinheiro para fazer alguns exames. Ela conta que achava estranho a demora na recuperação da pet. Então, outro médico veterinário, vindo de Jaguarão, analisou o caso e concluiu que ela não conseguiria mais caminhar. Ela havia sofrido uma lesão na coluna. A realização de uma cirurgia, em Porto Alegre, poderia ser uma opção. Entretanto, o procedimento poderia ser arriscado para o animal.
Em função do risco, Ingrid decidiu não fazer o procedimento e deixou essa alternativa de lado. Assim, ela conta que começou a pesquisar formas para permitir que Mel tivesse mobilidade.
Hoje, Mel tem uma cadeira de rodas feita sob medida, o que possibilita seus passeios junto ao irmão Chopp. A tutora explica que a pet não pode ficar todo o dia na cadeirinha. Além do calor, o aparelho também impede que Mel deite e pode causar alguns machucados nas patas, quando utilizado por um período muito longo.
Mel também usa fraldas. Quando não está com a cadeirinha, ela se movimenta apenas com as duas patas dianteiras. Nesses momentos, Ingrid conta que utiliza algumas meias, para evitar machucados nas patas de Mel. A casa da pet também é adaptada e recebeu uma rampa de acesso. Ingrid também protege o chão da casa para evitar lesões no animal.
A tutora comenta que chegou a entrar em contato com o motorista que atropelou a pet. Ele chegou a oferecer ajuda. Em uma ocasião, levou um pacote de ração para Mel e comentou que gostava de animais. Depois, nunca mais entrou em contato.
A tutora recorda que chegou a ouvir de algumas pessoas que deveria sacrificar sua pet, já que ela necessitaria de muitos cuidados. 
Mesmo com todo o trabalho, Ingrid diz que o carinho que tem pelos seus pets e o agradecimento que sente ser retribuído pelos animais vale o trabalho. Ela reforça a importância da adoção responsável, pois “se você tem um animal, tem que cuidar, dar amor e carinho. Fazer o máximo possível por eles”.

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