ANO: 24 | Nº: 6161

Rochele Barbosa

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Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
22/12/2018 Caderno Minuano Saúde

Exposição solar no verão

Foto: Divulgação

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Com a chegada do verão, a exposição ao sol aumenta e, assim, aconselha-se maior atenção a medidas protetoras como prevenção aos seus efeitos nocivos.

O sol é essencial para a manutenção da vida. A exposição aos raios ultravioletas (UV) apresenta benefícios como melhora do humor e síntese de vitamina D, essencial para fixação do cálcio nos ossos (15 minutos por dia são suficientes). Entretanto, sem moderação, a mesma pode provocar danos à pele como queimaduras solares, manchas, envelhecimento precoce e até mesmo alguns tipos de câncer.

Pesquisas e estudos sobre o câncer de pele vêm aumentando nas últimas décadas e identificou-se a radiação ultravioleta (UV) como um dos principais agentes envolvidos. A maior fonte natural de radiação ultravioleta é o sol, ao qual a pele está em constante exposição, seja durante atividades recreativas ou de trabalho. Assim, torna-se necessário e fundamental o uso do protetor solar diariamente.

Como proteção ao sol, nossa pele produz uma substância chamada de melanina, responsável pela cor produzida (“bronzeamento”) como resposta à exposição aos raios ultravioletas.

A radiação ultravioleta pode ser classificada em três tipos: UVA, UVB e UVC. Destes, apenas os raios UVC não acometem a terra, pois são completamente absorvidos pela camada de ozônio.

Os raios UVA são os de maior incidência na superfície terrestre, não são absorvidos pela camada de ozônio e incidem de maneira igual em todas as horas do dia e todas as estações do ano. Eles penetram profundamente na pele (alcançando a camada chamada epiderme) e são os principais responsáveis pelo envelhecimento decorrente da exposição solar, pois danificam as fibras de colágeno e elastina. Além disso, esses raios estão presentes em dias nublados e com baixa luminosidade.

Já os raios UVB têm maior incidência no verão, no horário compreendido entre às 10h e 16h. Os raios são parcialmente absorvidos pela camada de ozônio e são os principais responsáveis pelo bronzeamento e queimaduras solares (vermelhidão).

Entretanto, tanto os raios UVA quanto os raios UVB provocam alterações no DNA da célula e, assim, favorecem o aparecimento dos cânceres de pele, provocados pelo crescimento anormal e descontrolado das células que compõe a pele. Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia citam que o câncer da pele responde por 33% de todos os diagnósticos de cânceres no Brasil. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) registra, a cada ano, cerca de 180 mil novos casos.

O câncer da pele não melanoma (benigno) tem baixa letalidade, sendo os mais comuns os carcinomas basocelulares e os espinocelulares. Mais raro e letal que os carcinomas, o melanoma é o tipo mais agressivo de câncer da pele.

Nesta edição, as farmacêuticas e professoras da Urcamp, Patrícia Albano Mariño e Gabriela Garrastazu Pereira, irão falar sobre dicas, tratamentos e prevenção.

 

Efeitos, dicas, prevenção e cuidados

De acordo com as farmacêuticas, o efeito nocivo da exposição solar é cumulativo e, portanto, a proteção ao sol deve ser iniciada na infância. O uso de filtro solar é uma estratégia efetiva para prevenção de queimaduras solares, porém é também necessário o uso de outros meios físicos de proteção (uso de roupas compridas, chapéus e óculos escuros) e o cuidado com relação ao horário de exposição ao sol, principalmente para diminuir a incidência de câncer de pele.

Se você somente utilizar protetor solar durante os dias de verão ou quando vai à praia ou à piscina, está na hora de rever seus conceitos, pois 98% das doenças de pele e do envelhecimento cutâneo são causados pelo sol.

Isso porque os raios solares atingem tanto quem está na praia quanto quem está no trabalho ou em casa.

A prevenção é simples: basta se proteger corretamente. E isso inclui fazer uso de protetor solar, diariamente, mesmo longe das praias.

Patrícia destaca que os protetores solares podem ser encontrados de diversas formas, como cremes, loções, em gel e na forma de aerossol. “Nesses protetores, existem filtros ultravioleta (filtros UV), que garantem a proteção contra a famosa radiação UV”, complementa.

A professora Gabriela salienta que os filtros UV podem ser classificados em físicos e químicos. “Os filtros físicos são aqueles que apresentam a capacidade de refletir ou dispersar a radiação. Os filtros químicos, por sua vez, possuem substâncias que absorvem a radiação UV que atinge a pele, tornando-a inofensiva para o organismo. Para crianças entre seis meses de idade e um ano, é aconselhável o uso de protetores solares físicos”, explica.

Os protetores solares possuem diferentes fatores de proteção solar (FPS). Segundo a Portaria nº 2.466, de 31 de agosto de 2010, o FPS pode ser definido como o valor obtido pela razão entre a dose mínima eritematosa na pele protegida por um protetor solar (DMEp) e a dose mínima eritematosa na mesma pele quando desprotegida (DMEnp). De uma maneira mais simplificada, podemos dizer que o FPS indica quanto tempo uma pessoa utilizando protetor solar pode permanecer no sol sem que sua pele fique avermelhada (eritema) em comparação com uma pessoa que não está utilizando nenhum produto, ressaltam as profissionais.

“Assim sendo, fatores de proteção solar baixos estão relacionados com baixa proteção e devem ser usados por pessoas com pele pouco sensível ao sol (peles morenas e mais escuras). Os valores de FPS maiores devem ser usados por pessoas com pele mais sensível (clara). Para escolher o FPS ideal, é importante conversar com o farmacêutico no momento da compra ou com o médico dermatologista”, relata a professora Patrícia.

“Muito se engana quem acredita que o protetor solar é o único cuidado que devemos implantar para manter nossa pele saudável. O uso de acessórios que bloqueiam o sol é muito importante, como óculos escuros (com filtro solar); abas; bonés e viseira”, esclarece Gabriela.

 

Dicas para utilizar o protetor solar

Para estar protegido da radiação emitida pelo sol, é importante saber que não basta aplicar o protetor solar para garantir ampla proteção. É preciso também analisar as recomendações do fabricante e obedecê-las rigorosamente.

Veja a seguir alguns cuidados que devemos tomar antes e durante a exposição ao sol utilizando protetor solar:

-O protetor solar deve estar adequado à pele. Por essa razão, é necessário consultar um dermatologista para ter certeza sobre qual produto deve ser comprado;

-Crianças menores de seis meses não devem utilizar protetor solar. Após essa idade, o uso é recomendado, entretanto, é fundamental procurar orientação do pediatra para saber qual o melhor produto em cada caso;

-É importante aplicar o protetor solar pelo menos 15 minutos antes da exposição ao sol;

-Fique atento à reaplicação do produto. No caso de alguns protetores, recomenda-se a reaplicação após produção excessiva de suor, contato com a água e após a secagem com toalha. No mais, é importante reaplicar o produto a cada duas horas.

Como se proteger do sol:

1) Evite a exposição prolongada e repetida ao sol: “queimaduras” acumuladas durante a vida podem ocasionar câncer de pele;

2) Evite ficar no sol no horário das 10h às 16h, pois a incidência dos raios UVB são maiores;

3) Se quiser se bronzear, faça de maneira gradativa e lembre-se que demora de dois a três dias para a melanina ser produzida e o efeito bronzeado aparecer;

4) Na praia ou piscina, utilize barraca e guarda-sol, bonés, viseiras ou chapéus, pois o maior índice de câncer ocorre na face. Não esqueça de proteger as orelhas e lábios;

5) Passe o protetor solar pelo menos 30 minutos antes de se expor a sol; retoque a cada 2 horas se estiver na praia ou piscina ou quando se molhar;

6) A proteção das crianças é importante e é responsabilidade dos pais. Esse hábito deve ser criado desde cedo, visto que os malefícios são cumulativos. Manter bebês protegidos do sol. Filtros solares podem ser usados a partir dos seis meses.

7) Pessoas com pele clara exigem maior cuidado e proteção, o uso de camisetas de mangas compridas e chapéus com abas largas, muitas vezes, é necessário;

8) Usar filtros solares diariamente (em todas as estações do ano, dias frios e nublados) e não somente em horários de lazer ou de diversão. Utilizar um produto que proteja contra radiação UVA e UVB e tenha um fator de proteção solar (FPS) 30, no mínimo. Reaplicar o produto a cada duas horas ou menos, nas atividades de lazer ao ar livre. Ao utilizar o produto no dia a dia, aplicar uma boa quantidade pela manhã e reaplicar antes de sair para o almoço.

9) Observar regularmente a própria pele, à procura de pintas ou manchas suspeitas.

10) Consultar um dermatologista uma vez ao ano, no mínimo, para um exame completo das manchas da pele, para prevenção do câncer de pele.

 

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