ANO: 25 | Nº: 6260

José Carlos Teixeira Giorgis

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Desembargador aposentado e escritor
22/12/2018 José Carlos Teixeira Giorgis (Opinião)

Léo Ustárroz, das Palmas a Pamplona

Há escritores que a cidade precisa reverenciar: são os bajeenses natos que desenvolveram longe suas aptidões intelectuais, pessoas que se mudaram cedo acompanhando os pais para outros destinos. E que, pela qualidade de sua produção literária e reconhecimento público, estão a merecer aplauso.
Há pouco estive no Rio com Roberto Bittencourt Martins, médico psiquiatra, autor de “Ibiamoré”, um clássico da produção gaúcha; além do instigante “Um besouro na vidraça”, antologia louvada de contos, e ligado pelo sangue a tradicionais famílias locais. Hoje, quero gabar Léo Ustárroz e a publicação do incensado “Resgate em Pamplona”, pessoa a quem vinculo laços afetivos derivados da amizade com seus cultos filhos.
Há alguns anos Daniel Ustárroz, um deles, foi meu aluno na graduação. Hoje, é doutor em direito, requisitado professor universitário e palestrante, autor de destacadas obras jurídicas, com teses originais já adotadas nos tribunais do País, e integrante do renomado escritório de Sérgio Porto. Depois, sua irmã Elisa foi indicada para estagiária em meu gabinete e na esteira genética de seus pais e irmãos é mestre em Direito com título conquistado no exterior, professora universitária, doutoranda em Educação, com diversos artigos de apreço. Como a outra filha empresária, Larissa, esses créditos só podem ser atribuídos, ressaltados os valores pessoais dos descendentes, à formação dada pelo casal Léo e Nádia Rodrigues Ustárroz.
Léo é neto de Tomás Ustárroz, irmão de Geraldo Ustárroz, avô de Heloísa Ustárroz Beckman, ícone das artes plásticas. Geraldo é pai de Plácido, Francisca, Rachel e Marília. Os irmãos Tomás e Geraldo vieram da Espanha, em 1918, com cunhados e concunhados, todos jovens de 20 anos. Quem não se lembra da Livraria Dom Bosco, fundada pelos irmãos, que também tiveram uma tipografia? Bascos, estreitaram relações com a família de Jacinto Ollé e filhos, estes catalães; e com a Sociedade Espanhola de Bagé, de tanta importância comunitária.
Conheci, ainda, Pedro Correa Rodrigues - casado com Dirce Rigo Rodrigues, pais de Nádia - que prestou serviço militar no antigo 12º RC, e que encantava com as recordações e firmeza ideológica dos tempos de quartel.
Pelo lado materno, Léo é neto de Herculano Vaz Lopes- com quem convivi como vereador - casado com Francisca Collares, pais de Gladys, Glênio e Susana, os últimos casados com os irmãos Blanco, Iara e Antônio.
Esse núcleo de ruralistas das Palmas construíram as memórias para proveito de Léo, fato simbólico e atávico, pois o roteiro da obra nasce pelos lados do Camaquã e tem desenlace em Pamplona, na Espanha.
O único filho de Tomás foi Leopoldo, casado com Gladys, pais de Luís Felipe, Léo, Leopoldo e Cristina, todos presentes nos autógrafos bem-sucedidos, aonde também esteve João Máximo Lopes, primo irmão de Gladys, historiador camaquense relacionado com os pesquisados bajeenses e responsável pela publicação de um dos livros de Mário Nogueira Lopes.
Ainda jovem, Léo acompanha os pais para Santa Rosa, em 1952, chegando a Porto Alegre, em 1962, onde se gradua em Engenharia Química pela URGS, trabalhando na área específica por mais de 20 anos; depois, bacharela-se também em Direito.
Liberto dos compromissos profissionais, e filhos já encaminhados, Léo frequenta a oficina de “Escrita criativa” de Marcelo Spalding, publicando textos em antologia sobre Kafka e em outros portais. Estreia em 2006 com o romance “Sala de Embarque”, ficção de forte influência borgeana, sob a forma de diário, em que o personagem João Camilo viaja para suas lembranças interiores.
Já “Resgate em Pamplona”, com expressivas ilustrações de Carla Farias da Costa – entre as quais a Catedral de São Sebastião, a Fazenda dos Saraivas, o Padre Fermino, o Rincão do Inferno e o Camaquã, entre outras – o herói Miguel Zabalea, remexendo acervos, localiza na Espanha uma cidade com seu nome e parte das Palmas em busca de suas curiosidades. E de suas origens. Mais não conto.
No ano que vem, a Sociedade Espanhola e a Casa Pedro Wayne abrirão postigos para o talentoso conterrâneo Léo Ustárroz encontrar com seus conterrâneos.

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