ANO: 25 | Nº: 6334

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
22/12/2018 Marcelo Teixeira (Opinião)

Morte e vida

Gosto mais de aniversários do que de velórios e tenho certeza que represento a maioria nesta preferência. Por consequência, prefiro lembrar e valorizar a data de aniversário e esquecer ou deletar a data do falecimento de alguém. Neste particular, talvez a maioria já não seja tão favorável (se é que não é desfavorável) às datas festivas.
A proximidade do Natal oportuniza essa reflexão comparativa onde a Igreja Católica, ainda que celebre os dois momentos de Jesus, nunca escondeu de ninguém que a data maior do catolicismo seja a da Paixão de Cristo, a Semana Santa. A vitória de Jesus sobre a morte após o martírio da cruz.
Não sei se foi por influência da igreja, mas certamente vinda do hemisfério norte e tendo influenciado todo o ocidente, essa tradição de cultuar e valorizar mais a morte do que o nascimento, persiste até hoje e se revela em festas como o halloween, o “Dia de los Muertos” no México, o Dia de Finados aqui etc. Uma cultura – em meu sentir – de gosto duvidoso e que considera e acredita na interação dos vivos com espíritos, fantasmas, anjos e demônios, todos podendo interferir na vida terrena.
Por coerência e respeitadas as opiniões contrárias, é óbvio que prefiro o Natal à Semana Santa. Momentos de melancolia não me encantam, ainda que estejam repletos de significado e que sejam necessários para o nosso desenvolvimento. Mas o nascimento de uma criança é símbolo de renovação, de continuação ou, como diz a letra da música “Vida” das campanhas de fim de ano da RBS, “e quem sabe a vida é da vida a razão.”
Mais cedo ou mais tarde, de forma mais pungente ou não, quase todo ser humano vai se deparar com a questão da razão de viver, da razão da vida. O Natal – quem sabe? – pode ser a resposta! A razão de viver pode ser essa mesma, instintiva, básica, mas fundamental para fazer a gente experimentar o único sentimento que nos satisfaz, nos completa, nos impulsiona a seguir, a lutar, a enfrentar, a se arriscar: o amor. Dar continuidade à vida por amor, pelo amor e para o amor.
No tocante ao amor romântico, não se trata apenas de preservação da espécie, pois isso todos os animais e vegetais fazem como nós, mas sim de trazer alguém para a vida e ter a mais intensa experiência de amor que podemos experimentar. Amar, ser amado e compreender que o amor não é uma moeda de troca e, por isso, nem sempre volta com juros e correção monetária como muitos esperam. Porém, quando o amor é capaz de mudar a vida do outro e até a atmosfera daquele que tomou a iniciativa de amar, a gente começa a entender a Palavra da Salvação. Celebremos a vida e o amor! Foi para isso que o Menino Jesus veio entre nós. Nasceu para fazer de sua própria vida uma lição de amor. Feliz Natal!

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