ANO: 25 | Nº: 6386
28/12/2018 Luiz Coronel (Opinião)

Maneiras de dizer Boas Festas

1. Há décadas eu venho, pessoalmente, ou por meio de nossos profissionais de criação, envolvido com os temas natalinos, através dos institucionais de fim de ano do Grupo Zaffari. Começamos, anos longevos, com um Terno de Reis, colhendo a tradição milenar dos cantores rurais, que vão de casa em casa levando seu louvor ao Deus Menino. No litoral gaúcho, por influência açoriana, a tradição é preservada. Por meio das composições de Raul Ellwanger, Airton Pimentel e Sérgio Rojas buscamos inspiração para criar um Terno de Reis inovador, porém fiel as linhas mestras destes cânticos piedosos.

2. Consta que os Ternos de Reis tenham origem na Polônia e venham trazendo sua cantoria pelo corredor dos tempos. Agora, projetávamos nas telas televisivas os Reis Magos, o presépio e toda a procedente encenação litúrgica. Recordo a delicada melodia e os versos: "Agora mesmo chegamos, pelo rastro da alegria/como os Reis Magos seguimos o rastro da estrela-guia/. Nós já vamos em despedida para outra freguesia/levando de vossa casa, amor de José e Maria". Podemos dizer, metaforicamente, que seguimos o facho da estrela-guia, pois anos a fio, até os dias de hoje, veiculamos esperadas mensagens, plenas de fé e possível encantamento.
3. E me reporto ao institucional gravado na Igreja das Dores, nos anos 1990. Eram tempos de ansiedade política, como tem sido, com alta frequência, a história pátria. O canto em louvor à Virgem trazia um apelo à paz e à conciliação. Na linda voz de Lúcia Helena os versos: "Óh! Minha Divina Criança, traz de novo a esperança ao coração do país/. Um tempo terno e fraterno, um tempo humano e feliz". Transladar para hoje esses versos seria adequado. É necessário ultrapassar o terreno escorregadio do ressentimento, silenciar os que se apropriam da verdade única e edificam muralhas de intolerância. "Ninguém detém o monopólio da pureza das boas intenções!", lembrando Saint- Exupéry.
4. A celebração do Natal estende-se ao Ano Novo, tão próximas as datas. A festa continua. O Natal faz bater aquele sino que habita o coração das pessoas. Agora os sinos, apitos, fogos e buzinas estarão banindo a insegurança, anunciando um novo tempo, que nasce de nossas inquietas esperanças. Não tem sido fácil dar crédito ao futuro se encararmos, de frente, nossos últimos cinco anos. De minha parte, vou levar o ano que finda ao aeroporto e embarcá-lo com um ramo de flores na mão. Olhar aos céus e pedir a estrela mais disponível que ela me empreste sua lanterna, para que eu possa iluminar meu caminho. Levo comigo o poema conciso de Ferreira Gullar: "O Ano Novo não começa nos astros nem no chão do planeta. O Ano Novo começa em teu coração".

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