ANO: 25 | Nº: 6334
31/12/2018 Retrospectiva 2018

Feminicídio e a violência contra a mulher em Bagé

Foto: Divulgação

No dia 9 de abril, Darlene foi dada como desaparecida, após denúncia do seu companheiro
No dia 9 de abril, Darlene foi dada como desaparecida, após denúncia do seu companheiro
Por Vitória Severo

O reconhecimento do termo feminicídio, em Bagé, ganhou força após o assassinato de Darlene da Silva Pires, cometido pelo seu companheiro. As denúncias de violência contra a mulher aumentaram desde o ano passado e os órgãos de assistência receberam milhares de vítimas de agressões ao longo deste ano.

Esse tipo de crime se refere ao homicídio de mulheres baseado no gênero. Há quem questione a necessidade de separar os homicídios de mulheres dos homicídios em geral, porém os números mostram a realidade da violência doméstica. 

De acordo com a Delegacia especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e a Coordenadoria Municipal da Mulher, Bagé atende cerca de 100 casos de violência contra a mulher por mês. Os crimes mais denunciados são ameaças de morte ou agressão, seguidas de violência física e perturbação de tranquilidade.

Segundo estatísticas da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, somente em Bagé, foram registrados 459 casos de ameaças a mulheres, enquadradas na Lei Maria da Penha. Além disso, houve 255 registros de mulheres vítimas de lesões corporais. No mesmo período, foram registrados 19 casos de estupro, na Rainha da Fronteira. Foi registrado somente um caso de feminicídio, o caso Darlene.

Em comparação com o mesmo período de 2017, houve um aumento de 2,45% nos registros de ameaças. Já com relação às lesões corporais, houve uma redução de 12,6%. Com relação aos estupros registrados, o número assusta. Em 2017, foram registrados apenas 5; neste ano foram 19. Isso representa um aumento de 380%. Em 2017, não houve registros de feminicídios consumados.
 
Caso Darlene
Em 12 abril, a confirmação de um crime causou comoção na cidade. O feminicídio de Darlene da Silva Pires mobilizou desde os policiais à procura de respostas até a população em busca justiça. No dia 9 de abril, Rodrigo Fonseca Garcia, companheiro de Darlene, registrou o desaparecimento dela na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento - DPPA.

Garcia relatou que, na final da tarde do dia anterior, o casal vinha do distrito de Palmas para Bagé quando, próximo à Estância Nova, na localidade da Pedra Grande, sua motocicleta começou a apresentar problemas mecânicos. Um casal em um Fiat Strada, de cor vermelha, teria oferecido carona e Darlene teria aceitado para poder chegar até a cidade. 

O homem conta que ficou combinado que Darlene iria lhe ligar, fato que até a tarde do dia da denúncia não tinha ocorrido. Garcia disse que tentou ligar para a sua companheira, mas não obteve resposta. Ninguém sabia onde sua mulher estava. Por fim, disse não conhecer o casal que ofereceu a carona.

A partir desse registro, a equipe de investigação da 2ª Delegacia de Polícia Civil começou a apurar os fatos buscando encontrar a vítima. O delegado André Mendes e a delegada Carem do Nascimento, da Deam, acompanharam as investigações.

No dia 11 de abril, o pai de Garcia cometeu suicídio. Durante as investigações desse episódio, a polícia encontrou um capacete com marcas de sangue seco e acabou sendo reconhecido pelos filhos como sendo de Darlene. Essa reviravolta levou à resolução do caso. Rodrigo Fonseca Garcia acabou confessando o crime e, na madrugada, o corpo foi encontrado na localidade de Três Flores, no Distrito de Palmas. Garcia foi preso em flagrante, acusado pelo crime de feminicídio e ocultação de cadáver.


Segundo informações que a delegada forneceu ao Jornal MINUANO, na época, o acusado contou que matou Darlene no sábado, 7 de abril, desferindo golpes na sua cabeça com o capacete e obstruindo sua respiração até matá-la. Em seguida, arrastou o corpo para dentro de um campo, onde o abandonou. No dia seguinte, voltou à cena do crime e enterrou o cadáver da companheira. 

Segundo a investigação, o crime teria sido motivado por uma discussão iniciada após a motocicleta em que o casal estava ter apresentado problemas durante seu trajeto entre Palmas e Bagé. No dia 13 de abril, foi decretada a prisão preventiva de Garcia. Darlene era empregada doméstica, deixou quatro filhos, de 15, 11, 9 e cinco anos de idade.
 
Justiça
No dia 8 de junho, ocorreu a primeira audiência de instrução do caso. A juíza Naira Melkis Caminha, da 1ª Vara Criminal, ouviu oito testemunhas de acusação. No dia 30 de outubro, Garcia foi pronunciado pela 1ª Vara Criminal de Bagé, tornou-se réu e irá a júri popular.

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