ANO: 25 | Nº: 6334
31/12/2018 Retrospectiva 2018

Um ano eleitoral que vai ficar marcado

Foto: Tiago Rolim de Moura

Bagé foi palco de momentos marcantes para história política brasileira e gaúcha
Bagé foi palco de momentos marcantes para história política brasileira e gaúcha

por Tavisson Esteves

Caracterizadas por uma grande polarização, as Eleições 2018 deixaram marcas profundas na sociedade. Economia, segurança pública, direitos humanos, direitos trabalhistas e segurança social estiveram constantemente na pauta de discussões cotidianas de todos, inclusive dos bajeenses. Bagé, como nunca antes, foi palco de momentos marcantes para história política. Os principais protagonistas do pleito, tanto em nível nacional quanto estadual, passaram pela Rainha da Fronteira.

A caravana de Lula

No fim de fevereiro, o Partido dos Trabalhadores anunciou que a caravana Lula Pelo Brasil, no sul do país, começaria por Bagé. Isso causou euforia nos apoiadores da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e revolta nos seus opositores. Vereadores bajeenses, inclusive, aprovaram uma moção de repúdio à visita, marcada para o dia 19 de março e que teria como cenário a Universidade Federal do Pampa, considerada como principal legado na região dos governos do PT no Brasil.

A recepção do pré-candidato à Presidência da República foi conflituosa e a Brigada Militar precisou reforçar a segurança para o momento. Empresários, ruralistas e políticos da direita, como o prefeito Divaldo Lara, encabeçaram as manifestações contrárias ao ex-presidente, realizadas no acesso à Unipampa. Por outro lado, membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, militantes da esquerda e simpatizantes se manifestavam em apoio a Lula. Houve confrontos, pessoas presas e alguns feridos.

Apesar de ter sido condenado em segunda instância pelo Tribunal Federal da 4ª Região e ter sua candidatura indeferida pelo Tribunal Superior Eleitoral, o ex-mandatário continuou sendo protagonista do período eleitoral, tanto nos ataques da oposição quanto no seu apoio ao candidato do PT, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

Bagé na mira dos candidatos ao Piratini

Os dois candidatos que acabaram indo ao segundo turno das Eleições 2018 no Rio Grande do Sul colocaram a Rainha da Fronteira em seu roteiro de campanha. Em meio às definições dos rumos que o pleito teria, o então pré-candidato e ex-prefeito de Pelotas, Eduardo Leite, do PSDB, esteve em Bagé, na convenção municipal do PTB, sigla que acompanhou a chapa do tucano, indicando Ranolfo Vieira Júnior, delegado da Polícia Civil, como candidato à vice-governador.

O vice-governador José Paulo Cairoli, candidato a reeleição na chapa do governador José Ivo Sartori, visitou a cidade em duas oportunidades, já em período eleitoral, e concedeu entrevistas exclusivas ao Jornal MINUANO. Durante a campanha para o 2º turno, Sartori também cumpriu agenda em Bagé, tentando conquistar os votos dos simpatizantes de Jair Bolsonaro, após apoio do PSL no Estado. A chapa do MDB defendia a continuação do regime de recuperação fiscal como único caminho para o RS.

A palestra do Mourão

O anúncio de que o general Hamilton Martins Mourão, candidato à vice-presidente da República na chapa de Jair Bolsonaro, causou inúmeras reações na Rainha da Fronteira. Por um lado, os simpatizantes estavam ansiosos pela visita, por outro, causou indignação em críticos e opositores.

A visita se concretizou no dia 26 de setembro. Mais de 2 mil pessoas acompanharam a visita do general Hamilton Martins Mourão, então candidato à vice-presidente da República na chapa de Jair Bolsonaro, no Parque de Exposições Visconde de Ribeiro Magalhães, convidado para palestrar pela Associação e Sindicato Rural de Bagé.

Assim como ocorreu com o ex-presidente Lula, a presença de Mourão provocou a mobilização de pessoas no centro da cidade, convocada nas redes sociais pelo movimento #EleNão, que repudiava a candidatura de Bolsonaro e de seu vice

O resultado

No dia 28 de outubro, em segundo turno, Jair Bolsonaro foi eleito como 38º Presidente da República. Foram mais de 55 milhões de eleitores em todo o Brasil. Em Bagé, o candidato do PSL conquistou 35.630 votos, o que representou 56,6% dos votos válidos. O candidato do PT, Fernando Haddad, alcançou 27.319 sufrágios, sendo 43,4%. Apesar da importante votação, Bolsonaro não superou o percentual atingido por Luiz Inácio Lula da Silva, no segundo turno das eleições de 2002, quando alcançou 61,87%.

O Rio Grande do Sul manteve a curiosa tradição de não reeleger governadores. Eduardo Leite, do PSDB, garantiu a vitória e sagrou-se como governador eleito mais jovem da história do Estado. Leite obteve 69,19% dos votos válidos, em Bagé, sendo a maior votação de um governador no segundo turno na Rainha da Fronteira. O tucano assumiu compromisso com o pagamento de salários em dia e a regularização dos repasses de recursos para hospitais.

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