ANO: 25 | Nº: 6334
31/12/2018 Retrospectiva 2018

Um bispo que marcou Bagé

Foto: Antônio Rocha

Dom Gílio veio para Bagé em 2003, após ser ordenado bispo em 2002
Dom Gílio veio para Bagé em 2003, após ser ordenado bispo em 2002

Por Samuel Oliveira

Um fato que marcou a cidade, e principalmente a comunidade católica, foi o pedido de renúncia ao governo pastoral da diocese de Bagé, apresentado pelo bispo Dom Gílio Felício. No dia 6 de junho, a nunciatura apostólica no Brasil comunicou a decisão do papa Francisco em aceitar o pedido de afastamento do bispo. A notícia foi publicada no jornal “L’Osservatore Romano”, órgão oficial do vaticano.

O afastamento se deu por problemas de saúde, o que acabou dificultando o trabalho desenvolvido pelo religioso na diocese, que conta com 16 paróquias em 12 cidades. Natural de Sério, município emancipado de Lajeado, no vale do Taquari, o bispo decidiu permanecer na Rainha da Fronteira, cidade em que cultivou grandes amizades.

O religioso foi ordenado bispo em dezembro de 2002 e assumiu o cargo em março de 2003, revolucionando o bispado do Rio Grande do Sul, ao ser o primeiro bispo negro do Estado e o quarto do País. Sua chegada a Bagé foi marcada por grande mobilização e uma acolhida calorosa dos bajeenses. Dom Gílio adotou como lema de vida episcopal o termo “evangelizar a todos”. Lembrado por onde passa pelo jeito simples de levar a vida, está marcado pelo sorriso que sempre carrega em seu rosto, até mesmo nas fases mais difíceis da vida.

Nomeado bispo auxiliar na arquidiocese de Salvador em 1998, pelo papa João Paulo II, Dom Gílio desenvolveu um importante trabalho na comunidade negra, sendo criador da pastoral afro da arquidiocese soteropolitana. Até 2007, tinha sido coordenador nacional da pastoral afro-brasileira.


Homenagens

Para celebrar os 15 anos de Dom Gílio à frente da diocese de Bagé, o vereador Augusto Lara propôs uma homenagem da Câmara de Vereadores, que ocorreu em sessão solene para relembrar a trajetória e a importância do primeiro bispo negro no Estado. A noite foi marcada pela emoção e diversas apresentações artísticas, que retrataram a história e os hábitos do religioso. A recepção do bispo se deu com uma réplica da faixa com os dizeres “Bagé abraça Dom Gílio”, a mesma que recebeu o bispo durante sua chegada na cidade.


A escolha do substituto

O primeiro franciscano a atuar na Rainha da Fronteira como novo bispo da Diocese de Bagé é o padre Cleonir Paulo Dalbosco, de 48 anos. Nomeado no dia 27 de setembro pelo papa Francisco, o religioso é natural de Barros Cassal, no Rio Grande do Sul, e ingressou no seminário em 1987, em Soledade.

Dom Cleonir foi oficializado como bispo da diocese no dia 16 de dezembro, quando presidiu sua primeira missa, celebrada no Colégio Franciscano Espírito Santo. Ele escolheu o lema “Eu vim para servir” e foi recebido  calorosamente pelos fiéis. “Peço permissão para entrar em suas casas e em seus corações e começar a fazer parte de suas vidas e da história dessa igreja”, ressaltou.


O abraço

Bagé abraçou Dom Gílio pelo fato de ser a exceção que não confirma a regra. Foi aceito pela maneira com que respeita toda e qualquer religião, mostrando que somos capazes de viver em comunhão e assim caminharmos para um mundo cada vez melhor.

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