ANO: 24 | Nº: 6136

Fernando Risch

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Escritor
04/01/2019 Fernando Risch (Opinião)

Vamos parar com essa depressão toda

Minha esposa pediu para que eu escrevesse coisas mais alegres e esperançosas nesta coluna, parando com essa crise depressiva que me abateu nos últimos tempos. A mim não resta dúvidas sobre minhas vontades, e indico que elas são do reestabelecimento do sorriso pleno e da confiança de boa fé no futuro.

Mas o que posso fazer se este 2019, que prometia varrer o peso do desgraçado ano passado, no seu quarto dia, se mostra um pé no saco? A começar com nossa virada, num festim melancólico, com amigos de ressaca antes mesmo do primeiro gole; uns deitados em redes, outros a chafurdar os ouvidos em MPBs tristes. Queria ter visto o nascer do sol e isso me foi negado pela inércia de uma madrugada desanimada e cansada.

Passamos o dia 1º nos lamentado do 31, com barrigas estafadas em comida, corpos sudoríparos de graxa de carne gorda e mentes zonzas pela profusão confusa de ideias e pensamentos vagabundos. Silêncio na casa, num dia tipicamente pueril, em que nada se há pra fazer, com o calor a retardar passos e cabeças em ruas sem ninguém.

Do primeiro pro segundo, uma noite mal dormida, de um calor exasperante, de sonhos inquietos, de insônias esporádicas e de um fechar de olhos que se abriam com qualquer barulho. Um 'clac' do ar-condicionado, um 'zum zum' tremido do celular, tendo vida própria e os olhos se abriam. Já são sete horas? Quando alvorada chegou, um cansaço de pálpebras cimentadas na base que nos faz perguntar: é isso que nos restou como novo ciclo de vida?

E teve mais, ah, claro que teve mais, mas eu não vou falar. Não vou falar disto para que ninguém venha erguer dedo pra mim, em brados exaltados numa catarse mitomaníaca, em louvor a pândegos diplomados. Mas isso se tira de letra, num sambar alegre cotidiano, porque não se perde uma luta, se luta até o fim dos dias, ora pra cá, ora pra lá, no ziguezaguear dos néscios.

Estamos apenas no início, estou tentando ser otimista, como bem Carol me receitou, mas 2019 não começou muito bem, não num golpe de cotovelo que nos abate, mas neste ritmo modorrento típico de janeiro, amplificado por três. Vamos superar tudo isso, eu bem sei, num pulo energizado e revigorante, logo que tomar meu suco de laranjas e toda essa vitamina C, que me foi roubada por festas inconvenientes e motoristas larápios, volte a correr em minhas veias.

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