ANO: 25 | Nº: 6261

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
05/01/2019 Airton Gusmão (Opinião)

Mensagem do Dia Mundial da Paz

Trazemos presente alguns trechos da Mensagem do Papa Francisco para o 52º Dia Mundial da Paz, que celebramos no primeiro dia do ano novo, e que trouxe como tema para a nossa reflexão: a Boa Política está ao serviço da Paz.
Jesus, ao enviar em missão os seus discípulos, disse-lhes: "Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: 'A paz esteja nesta casa' e, se lá houver um homem de paz, sobre ele repousará a vossa paz; se não, voltará para vós" (Lc 10,5-6).
Oferecer a paz está no coração da missão dos discípulos de Cristo. A "casa", de que fala Jesus, é cada família, cada comunidade, cada país, cada continente, na sua singularidade e história; antes de mais nada, é cada pessoa, sem distinção nem discriminação alguma. E é também a nossa "casa comum": o planeta onde Deus nos colocou a morar e do qual somos chamados a cuidar com solicitude.
A paz parece-se com a esperança de que fala o poeta Carlos Péguy; é como uma flor frágil, que procura desabrochar por entre as pedras da violência. A política é um meio fundamental para construir a cidadania e as obras do homem, mas, quando aqueles que a exercem não a vivem como serviço à coletividade humana, pode tornar-se instrumento de opressão, marginalização e até destruição.
"Se alguém quiser ser o primeiro – diz Jesus – há de ser o último de todos e o servo de todos" (Mc 9,35). Como assinalava o Papa São Paulo VI, "tomar a sério a política, nos seus diversos níveis – local, regional, nacional e mundial – é afirmar o dever do homem, de todos os homens, de reconhecerem a realidade concreta e o valor da liberdade de escolha que lhes é proporcionada, para procurarem realizar juntos o bem da cidade, da nação e da humanidade.
Se for implementada no respeito fundamental pela vida, a liberdade e a dignidade das pessoas, a política pode tornar-se verdadeiramente uma forma eminente de caridade. A boa política está ao serviço da paz; respeita e promove os direitos humanos fundamentais, que são igualmente deveres recíprocos, para que se teça um vínculo de confiança e gratidão entre as gerações do presente e as futuras.
A par das virtudes, não faltam, infelizmente, os vícios, mesmo na política, que enfraquecem o ideal duma vida democrática autêntica; são a vergonha da vida pública e colocam em perigo a paz social: a corrupção, a negação do direito, a falta de respeito pelas regras comunitárias, o enriquecimento ilegal, a justificação do poder pela força ou com o pretexto arbitrário da "razão de Estado", a tendência a perpetuar-se no poder, a xenofobia e o racismo, a recusa a cuidar da Terra, a exploração ilimitada dos recursos naturais em razão do lucro imediato, o desprezo daqueles que foram forçados ao exílio.
Quando o exercício do poder político visa apenas salvaguardar os interesses de certos indivíduos privilegiados, o futuro fica comprometido e os jovens podem ser tentados pela desconfiança, por se verem condenados a permanecer à margem da sociedade, sem possibilidades de participar num projeto para o futuro.
Pelo contrário, quando a política se traduz, concretamente, no encorajamento dos talentos juvenis e das vocações que requerem a sua realização, a paz propaga-se nas consciências e nos rostos. Por isso, a política é a favor da paz, se expressa no reconhecimento dos carismas e capacidades de cada pessoa.
A paz é uma conversão do coração e da alma, sendo fácil reconhecer três dimensões indissociáveis desta paz interior e comunitária:
- a paz consigo mesmo, rejeitando a intransigência, a ira e a impaciência e, como aconselhava São Francisco de Sales, cultivando "um pouco de doçura para consigo mesmo", a fim de oferecer "um pouco de doçura aos outros";
- a paz com o outro: o familiar, o amigo, o estrangeiro, o pobre, o atribulado. Tendo a ousadia do encontro, para ouvir a mensagem que traz consigo;
- a paz com a criação, descobrindo a grandeza do dom de Deus e a parte de responsabilidade que compete a cada um de nós, como habitante deste mundo, cidadão e ator do futuro.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana e um feliz ano novo a todos e até uma próxima oportunidade!

 

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