ANO: 25 | Nº: 6330

Dilce Helena Alves Aguzzi

dilcehelenapsicologa@gmail.com
Psicóloga
08/01/2019 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Sentar e chorar ou se reinventar? Eis a questão!

Ciclos que se renovam por opção ou por falta de opção, rupturas, etapas diferentes que vão surgindo para todos nós e desafios que escolhemos ou que nos escolhem. Tudo isso nos impõe saber recomeçar, saber inventar uma nova forma de prosseguir.

Muitas vezes ouvi falar a respeito das pessoas que sobreviveram a fases difíceis porque souberam se reinventar, como se isso fosse um talento reservado a poucos escolhidos dos deuses.
Na verdade, o mundo todo se renova e se reinventa o tempo todo, e isso é a essência da sobrevivência, do processo evolutivo, do passar do tempo com a existência se impondo ante as diversidades.
Na obra de Bertold Brecht, "A vida de Galileu", existe um trecho em que o personagem central se refere à angústia mortal que acomete a ostra ao ser invadida por um corpo estranho, processo que culmina com a criação da pérola:
- O senhor sabe como a ostra margaritífera produz sua pérola? É uma doença de vida ou morte. Ela envolve um corpo estranho, intolerável para ela, um grão de areia numa bola de gosma. É uma luta incessante. Ela quase morre no processo. Ora, a pérola que vá para o inferno. Eu prefiro a ostra com saúde!
Claro que sim, todos nós, na verdade, se tivéssemos opção de escolha, preferiríamos muitas coisas diferentes, além da ostra com saúde. Um mundo melhor, sem violência, preconceito, doenças, rupturas ou quaisquer dificuldades que nos fazem sofrer. No entanto, isso não é possível, a vida impõe momentos dolorosos, sucessivos finais e recomeços e a pérola está aí, simbolizando que é possível, a partir da transformação surgir algo original, inusitado, belo, não por escolha, mas exatamente por não ter outra alternativa a não ser continuar.



A vida impõe momentos dolorosos,
sucessivos finais e recomeços

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