ANO: 24 | Nº: 6182

Fernando Risch

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Escritor
11/01/2019 Fernando Risch (Opinião)

A curta lua de mel de Bolsonaro

Todo governo que se inicia, começa com uma lua de mel. Após a transição, a reforma ministerial e a equipe escolhida, o novo Congresso eleito começa sempre numa trégua passageira, dando poderes acima dos normais republicanos ao presidente. As oposições se formam, sim, mas o restante dá um voto de confiança ao novo mandatário até onde o estofo político do mesmo aguentar.

Ao que tudo indica, Bolsonaro torrou seu coeficiente político numa queimada de largada. Sem muito traquejo para a coisa, impulsivo e com uma equipe desequilibrada (com ministros que parecem atuar contra as pastas as quais foram designados) e que contradiz a si própria a todo o momento, o novo governo se sustenta na corda bamba política num processo que mal começou.

Com plataforma anticorrupção em campanha, Bolsonaro vê seu filho envolvido em denúncia de desvio de verba da Alerj, através do agora famoso motorista Queiroz; seu braço direito, ministro-chefe da Casa Civil Onyx Lorenzoni, coleciona um rol de acusações, que vão de Caixa 2 em campanha com dinheiro da JBS à utilização de notas frias de uma empresa de um amigo para reembolso no Congresso; pra completar, Mourão, o vice, se entrelaça na denúncia de nepotismo após seu filho ser promovido meteoricamente no Banco do Brasil no dia da posse do novo presidente da entidade.

Isso tudo, possíveis escândalos, derrete politicamente o novo governo com a população, já que o Congresso, ainda com velhas corujas da vista-grossa, não se importa tanto com isso (até a população cobrar do legislativo). O caso é que, juntando os tresloucamentos de ministros e as medidas governamentais anunciadas e voltadas atrás em questão de minutos, com as suspeitas ligadas aos principais aliados de Bolsonaro, o capital político do novo presidente se desgasta muito antes da hora.

Para quem pretende ter uma relação de casamento com o Congresso, para que reformas sejam votadas e aprovadas, a ampulheta política de Bolsonaro vai se esvaziando. Em fevereiro, o novo Congresso inicia os trabalhos. O que era pra ser uma lua de mel pelos próximos seis meses, pode se tornar uma dor de cabeça para o novo presidente.

Tudo depende do caminho que o legislativo tomará com a eleição à presidência da casa (e mesmo que seja Rodrigo Maia, apoiado pelo PSL à presidência, resta saber que postura o deputado do DEM fará ao presidir o Congresso). Mas se novas suspeitas surgirem a aliados próximos de Bolsonaro, não há dúvidas de que cabeças vão rolar – ou Bolsonaro criará um problema maior ainda para si e sua presidência.

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