ANO: 25 | Nº: 6256

Jessica Pacheco

11/01/2019 Caderno Ellas

Café Filosófico


Adriana Di Lorenzo
Psicóloga e Psicoterapeuta Psicanalítica
adridilorenzo@uol.com.br

Em tempos em que nossa identidade se constrói a partir daquilo que consumimos, fotografamos e postamos, o Café Filosófico abre uma janela para quem se opõe a toda essa superficialidade.
Para quem não sabe, o Café Filosófico é um programa de televisão brasileiro, transmitido pela TV Cultura, cujo objetivo é compartilhar ideias de grandes pensadores contemporâneos. Geralmente os assuntos são ligados à Filosofia e à Psicanálise.
O programa tem duração de 30 minutos. E todas as segundas feiras à noite, procuro me organizar para assisti-lo. Sei que também podemos encontrá-lo no YouTube, como tudo hoje em dia. Mas, como sou jurássica, ainda tenho prazer em assisti-lo na televisão.
As provocações são muitas e os temas abordados são diversos – amor, amizade, família, modernidade, preconceito, inveja, medo. A todo o programa sou surpreendida por um outro olhar, uma nova forma de entendimento sobre questões que permeiam nossa existência.
Assim como viajar, o Café Filosófico, de alguma forma, nos mobiliza, nos faz transitar por diferentes dimensões da natureza humana. Nos mostra o quanto o universo é dinâmico e diferente. E que a nossa verdade, na maioria das vezes, não é absoluta. Pensamentos, que consertam e desconcertam, que instigam e que questionam, que nos convidam a refletir fora da nossa zona de conforto. Pertinente aos dias de hoje, não?
Leandro Karnal, Mário Corso, Diana Corso, Maria Rita Kehl, Vladimir Safálle, Julieta Jerusalinsky, Antonio Prata, enfim, são inúmeros os convidados que, a cada programa, tornam Freud, Sartre, Baulman, Dostoiévski, Shakespeare e tantos outros pensadores próximos do nosso dia a dia. São ideias e questionamentos atuais e atemporais no percurso da evolução humana.
Para os atentos, sabemos que, como afirmou Bauman, os tempos, realmente, são líquidos. Porque, atualmente, tudo muda muito rapidamente. Nada é feito para durar, para ser sólido. Mudamos de perfil a todo instante, postamos fotos, acrescentamos amigos e bloqueamos outros tantos, sorrimos a todo o momento. Usamos nossos filhos para mostrarmos o quanto somos e estamos felizes. Afinal, a felicidade é uma exigência.
Apesar disso, existem frestas nesse casulo. Frestas que nos ajudam a resistir a toda esta maré. Frestas que nos ajudam a entrar em contato com nossa essência, com aquilo que realmente somos. O Café Filosófico é uma delas!

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias do caderno

Outras edições

Carregando...