ANO: 24 | Nº: 6185
11/01/2019 Cidade

Produtores de leite entregam manifesto a vereadores de Bagé

Foto: Jaqueline Muza/ Especial JM

Categoria defende fim da importação do produto junto ao Mercosul
Categoria defende fim da importação do produto junto ao Mercosul
A crise enfrentada pelos produtores de leite do Estado motivou uma mobilização em frente a Câmara de Vereadores de Bagé, ontem. Cerca de 100 produtores de 10 municípios realizaram um ato em frente ao Legislativo, pedindo apoio para o setor. Na ocasião, foi entregue uma de pauta com cinco reivindicações solicitando medidas a serem adotadas para a viabilidade da atividade. A ação foi denominada “A vaca está secando, não deixe a vaca morrer”.
Conforme um dos organizadores do manifesto, o produtor de Aceguá, Sérgio Hubert, a pauta da categoria inclui a suspensão da importação de leite e derivados do Mercosul, viabilização da produção de queijo artesanal na propriedade, fixação de preço mínimo ao produtor de leite, redução de ICMS na conta do produtor de leite e a manutenção de estradas e acessos aos tambos.
Hubert informa que o valor do leite para a consumidor custa entre R$ 2,50 e R$ 3 e o produtor recebe apenas R$ 1, o que não cobre o custo de produção. No caso do queijo e derivados, o valor do quilo custa entre R$ 25 e R$ 30 e, para produzir o produto, são necessários em torno de 10 litros de leite. “O produtor recebe R$ 10 e o restante do valor vai para intermediários”, lamenta.
O produtor salienta que uma das principais medidas solicitadas é o cancelamento da importação do alimento do Uruguai e da Argentina. Ele ressalta que o Brasil exporta leite e não há necessidade de trazer produto de fora. “Somos cobrados pela qualidade, mas não podemos investir por falta de verbas”, comenta.
A produtora de Hulha Negra, Rosangele Soares Willrich, destaca que muitos produtores estão desistindo da atividade, visto que o valor pago não está cobrindo os custos. Ela conta que a produção é entregue para empresas diariamente e os produtores nunca sabem o valor que vão receber, somente no dia 15 do mês subsequente. “Queremos que saibam da nossa dificuldade”, lembra.
Gisele Cougo Pereira, que produz leite em Aceguá, ressalta que, há cerca de cinco anos, o produto está com o mesmo valor e houve um acréscimo considerável no diesel e insumos. “Chega um ponto que não temos de onde tirar dinheiro para cobrir os gastos. Está inviável para todo mundo. A situação é um clamor do Brasil inteiro”, disse.
Ainda segundo os produtores, o problema envolve desde o agricultor familiar, passando pelo médio e chegando ao grande e as ações que cabem ao município, ao Estado e à União.

Moção de apoio
O presidente do Legislativo, Carlos Adriano Carneiro (Esquerda), do PTB, suspendeu a sessão da comissão representativa para atender os produtores. O vereador ressaltou que será realizada uma moção de apoio em conjunto com a prefeitura. A posição do município, favorável à demanda dos produtores, será levada à Brasília, no dia 20 de janeiro.
O vereador Antenor Teixeira, do Progressistas, adiantou que também vai encaminhar a pauta dos produtores para o deputado federal Afonso Hamm e para o senador Luiz Carlos Heinze, antes da reunião em Brasília.

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