ANO: 24 | Nº: 6185
11/01/2019 Fogo cruzado

Vereadores debatem proposta de reajuste de 23% na tarifa de ônibus

Foto: Reprodução JM

Parlamentares da base devem ser recebidos pelo prefeito de Bagé, Divaldo Lara, do PTB, na segunda-feira, às 14h, para debater o reajuste da tarifa do transporte coletivo. A agenda foi confirmada pelo líder do governo na Câmara, vereador Graziane Lara, do PTB, durante discurso, ontem, na reunião da comissão representativa. Em sua maioria, integrantes da base também adiantaram posições contrárias ao percentual de ajuste aprovado pelo Conselho Municipal de Trânsito e Transporte Urbano e Rural (Comtur), na semana passada.
Após reunião do Comtur, circulou a informação de que as empresas que operam o serviço chegaram a apresentar uma proposta de aumento da tarifa, de R$ 3,05, para R$ 4,21. Levantamento realizado pela Secretaria Municipal de Segurança e Mobilidade Urbana apontou, entretanto, o valor de R$ 3,75, o que representaria um aumento de 23%. A tarifa proposta pelo estudo encomendado pela pasta foi aprovado pelo Conselho. Qualquer aumento, porém, só pode ser formalizado por decreto do chefe do Executivo, que ainda não recebeu as informações, oficialmente.
O líder do governo abriu a discussão no Legislativo, salientando que parlamentares da base não aceitam o valor solicitado pelas empresas. “Vamos fazer nossa parte, falando direto com o prefeito. Estamos trabalhando para resolver, de fato. Vamos direto ao ponto, a quem vai decidir”, pontuou. De maneira geral, existe uma tendência para o diálogo sobre a definição de valores menores.
O líder do PR, vereador Omar Ghani, observa que o governo municipal não formalizou reajustes na tarifa entre 2017 e 2018, reconhecendo a demanda das companhias. “Foram dois anos de pressão das empresas. Acho que o reajuste é justo. As empresas têm que pagar seus funcionários, têm que comprar material; mas que seja um reajuste que não pese, principalmente, para a comunidade, que usa o transporte coletivo”, disse, ao mencionar os ajustes formalizados na gestão petista. “Os aumentos eram absurdos”, definiu.
O vereador Augusto Lara, líder do PDT, destacou que ainda não existe posição sobre o reajuste. Ele também considera a discussão sobre o percentual. “Tem muito ‘achismo’ quando se fala na tarifa de ônibus. Pelo que sei, a prefeitura também não se pronunciou. O que teve foi um valor anunciado pelo Conselho, que sugere que a tarifa vá de R$ 3,05 para R$ 3,75. Minha posição é contrária, sim, ao aumento de 23%. Acho que deve haver um equilíbrio. E a base tem o mesmo entendimento. O reajuste é normal, até por que tem melhorias na frota de ônibus. Mas não vamos fazer igual a gestão anterior, que aumentou abusivamente”, pontuou.

Ponderação
A vereadora Sonia Leite, do Progressistas, alertou para a importância de ampliar o debate. “Estão condenando com o que não foi feito, com algo que não está decidido, que não tem a palavra final. Quando ainda estavam falando que teria a reunião do Conselho, já havia questionado o prefeito sobre as passagens. E eu quero acreditar que o prefeito será coerente e irá ponderar”, disse.
A bancada do MDB também adotou um discurso de ponderação. A emedebista Elidiane Lobato, por exemplo, manifestou posição contrária ao percentual aprovado pelo Comtur, mas adiantou a disposição para o diálogo. “Entendo que há mais de dois anos não há reajuste. Estamos entrando em contato com as empresas, por que também não depende apenas do prefeito”, avalia.

Informações
Parlamentares do PSB e da Rede apresentaram requerimentos, solicitando informações sobre o processo de definição da tarifa. A vereadora Beatriz Souza, líder da Rede, solicitou a cópia da ata da reunião do Comtur e o nome da empresa contratada para fazer o cálculo da atualização dos valores do transporte. “Este cálculo é feito baseado em quê? Qual é o valor da concessão? Fomos cobrados, nas redes sociais, mas de que forma vamos nos posicionar. Como ter posição se não recebemos informação alguma?”, questiona.
O líder do PT, vereador Lélio Lopes (Lelinho), solicitou cópia da planilha do estudo tarifário apresentado na reunião que deliberou sobre o novo valor. Na legislatura passada, o petista representou a Câmara na instância de discussão sobre a tarifa. Ele recordou que, por conta de desonerações formalizadas pelo governo federal, o prefeito Dudu Colombo, do PT, chegou a reduzir o valor das passagens em R$ 0,10. Ontem Lelinho questionou o percentual aprovado pelo Comtur.
Integrantes da base classificaram os reajustes formalizados pelos governos petistas como abusivos. O mesmo ajetivo foi utilizado por Lelinho para qualificar o percentual aprovado recentemente, lembrando que o mesmo não está em vigor, por que depende de avaliação do prefeito. Após exemplificar o impacto de um eventual aumento de R$ 0,70 para quem depende do transporte coletivo, ele sugeriu, por fim, a adoção de indicadores para calcular o reajuste. “O prefeito pode utilizar os indicadores mais baixos. Vamos pegar o IPCA, que, nos últimos dois anos, somados, chega a 6,54%, Pode usar este índice”, alfinetou.

Transparência
O presidente da Câmara, Carlos Adriano Carneiro (Esquerda), do PTB, informou que o valor aprovado pelo Comtur considera o Índice de passageiros por quilômetro (IPK), que apura quantos passageiros o ônibus transporta em média por quilômetro percorrido. “Hoje temos transparência no processo, nada é feito às escuras, da noite para o dia. Fico me perguntando, aonde estavam os vereadores, antes. Temos a certeza de que, pela sensibilidade do prefeito, pelo gestor que ele é, não irá permanecer este valor. Ele sabe a realidade do nosso município”, salientou.

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