ANO: 25 | Nº: 6357

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
15/01/2019 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Sem arrependimento não há crescimento

Algumas pessoas confundem pedir desculpas com prometer não fazer mais, e com medo de que esta promessa não possa ser cumprida sentem-se mais honestas apenas vivendo sem demonstrar remorso algum por nada. Arrependimento é uma palavra que vem sendo deturpada ultimamente, é considerado feio ter, só pertencendo, talvez, a assassinos e demais criminosos que fazem o mal de caso pensado. Repentinamente, ninguém se arrepende de nada. Só há motivo de orgulho na existência humana então?
Ah, por favor, arrepender-se é crescer emocionalmente, é tomar consciência, é o primeiro passo para mudar, amadurecer. Sendo assim, em termos de sociedade, deveria nos preocupar bem mais a ausência do arrependimento que sua existência. Todo mundo erra, senão o tempo todo, pelo menos com muita frequência. Erramos a abordagem, exageramos, não percebemos alguns aspectos importantes para outras pessoas, atropelamos o tempo alheio, e não raro, julgamos equivocadamente. Sendo assim, pedir desculpas, manifestar que sente muito ou simplesmente um pedido de “me perdoa” ajudaria muito porque faz com que os outros nos percebam como alguém que se importa. Esse é o maior bálsamo para emoções feridas, demonstrar que se importa com o sentimento alheio, que a intenção não era magoar. Nenhum gesto pode ser deletado, nenhuma palavra pode ser neutralizada, mas a dor pode ser imensamente amenizada com o cuidado demonstrado pelo sentimento da outra pessoa.
Afinal de contas, é sempre bom admitir que nenhuma dor que não seja minha é bobagem, nenhuma preocupação que não me pertença é fiasco, não posso menosprezar o sentimento que não surgiu e não reside dentro de mim.
Há quem defenda que o antagônico do amor seja o ódio, claro que não. Seu oposto é e sempre será o desprezo, o silêncio, o vazio, o pense o que quiser. Quem não sabe ou não quer aprender a pedir desculpas está mandando o recado, ainda que inconscientemente, que vai repetir a dose e, pior ainda, que o problema não é seu. Por isso mesmo deveria ser nossa responsabilidade, apresentada a nós desde pequenos, demonstrar cuidado e interesse para com os sentimentos dos outros no mesmo nível de importância que nos preocupam e comovem os nossos próprios. Esta não é somente a lei da empatia e da boa convivência, mas, acima de tudo, é um imperativo para uma vida menos egoísta. Podemos, inclusive, estar corretos em determinadas atitudes e pontos de vista, entretanto, se deixarmos um rastro de pessoas machucadas no caminho, deveríamos, ao menos, nos questionar se é válido ou gratificante estar tão corretos assim!

OLHO
Há quem defenda que o antagônico
do amor seja o ódio

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