ANO: 25 | Nº: 6280

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
19/01/2019 Airton Gusmão (Opinião)

É necessário fazer o que Jesus disse nas Bem-aventuranças

Celebramos neste 20 de janeiro São Sebastião, padroeiro da Diocese de Bagé, um entre tantos exemplos de santidade, que procurou no seu tempo viver a fidelidade a Jesus Cristo e ao Evangelho, testemunhando a sua fé até as últimas consequências. Alguém que procurou viver o espírito das bem-aventuranças.
Durante a Novena de São Sebastião, a partir da Exortação do Papa Francisco, sobre o chamado à santidade no mundo atual; refletimos em cada noite sobre as bem-aventuranças (nº 63-94); Gostaria hoje de retomar brevemente estas bem-aventuranças que, com certeza, nos ajudarão neste caminho de busca de nossa santidade.
Na introdução o Papa afirma que “não há nada de mais esclarecedor do que voltar às palavras de Jesus que explicou o que é ser santo; e assim o fez quando nos deixou as bem-aventuranças (Mt 5,3-12; Lc 6,20-23)”. Elas “são como que o bilhete de identidade do cristão” e, para chegar a ser um bom cristão “é necessário fazer, cada qual a seu modo, aquilo que Jesus disse no sermão das bem-aventuranças” e que “nelas está delineado o rosto do Mestre, que somos chamados a deixar transparecer no dia a dia da nossa vida”.
“Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu”. Ele diz que “as riquezas não te dão segurança alguma. Quando o coração se sente rico, fica tão satisfeito de si mesmo que não tem espaço para a Palavra de Deus, para amar os irmãos, nem para gozar das coisas mais importantes da vida. Por isso, Jesus chama felizes os pobres em espírito, que têm o coração pobre, onde pode entrar o Senhor com a sua incessante novidade”.
“Felizes os mansos, porque possuirão a terra”. O Papa diz que “é uma frase forte neste mundo que é um lugar de inimizade, onde há ódio e classificamos os outros; é o reino do orgulho e da vaidade. Jesus propõe outro estilo: a mansidão. Paulo designa a mansidão como fruto do Espírito Santo (Gl 5,23). A mansidão é outra expressão da pobreza interior, de quem deposita a sua confiança apenas em Deus”.
“Felizes os que choram, porque serão consolados”. Lemos que “o mundo propõe-nos o contrário: o entretenimento, o prazer, a distração, o divertimento. O mundo não quer chorar: prefere ignorar as situações dolorosas, cobri-las, escondê-las. A pessoa que se deixa trespassar pela aflição e chora no seu coração, é capaz de alcançar as profundezas da vida e ser autenticamente feliz; com a consolação de Jesus, e não com a do mundo”.
“Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados”. “A justiça que Jesus propõe, não é como a que o mundo procura, uma justiça muitas vezes manchada por interesses mesquinhos. E quantas pessoas sofrem por causa das injustiças. Esta Justiça começa a se tornar realidade na vida de cada um, sendo justo nas próprias decisões e depois manifesta-se na busca da justiça para os pobres e vulneráveis. A palavra ‘justiça’ pode ser sinônimo de fidelidade à vontade de Deus com toda a nossa vida”.
“Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”. O texto registra que “a misericórdia tem dois aspectos: é dar, ajudar, servir os outros, mas também perdoar, compreender. Dar e perdoar é tentar reproduzir na nossa vida um pequeno reflexo da perfeição de Deus: ‘a medida que usardes para os outros, servirá também para vós’ (Mt 6,38). Todos nós somos uma multidão de perdoados. Todos nós fomos olhados com compaixão divina”.
“Felizes os puros de coração, porque verão a Deus”. Lemos que “um coração que sabe amar não deixa entrar na sua vida algo que atente contra esse amor, algo que o enfraqueça ou coloque em risco. Quando o coração ama a Deus e ao próximo (Mt 22,36-40), então esse coração é puro e pode ver a Deus”.
“Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus”. O texto afirma que “da nossa parte, é muito comum sermos causa de conflitos ou, pelo menos, de incompreensões. O mundo das murmurações, feito por pessoas que se dedicam a criticar e destruir, não constrói a paz. Pelo contrário, tais pessoas são inimigas da paz e, de modo nenhum, bem-aventuradas. Os pacíficos são fonte de paz, constroem paz e amizade social”.
“Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu”. O texto fala que “o próprio Jesus sublinha que esse caminho vai contracorrente, a ponto de nos transformar em pessoas que questionam a sociedade com a sua vida, pessoas que incomodam. Para viver o Evangelho, não podemos esperar que tudo à nossa volta seja favorável. A cruz, especialmente as fadigas e os sofrimentos que suportamos para viver o mandamento do amor e o caminho da justiça, é fonte de amadurecimento e santificação”.
Que São Sebastião interceda junto a Deus por todos nós para que vivamos hoje aquilo que Jesus disse nas bem-aventuranças. Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Domingo, dia 20, a partir das 20 horas realizaremos a Procissão com a imagem de São Sebastião desde a Igreja Nossa Senhora da Conceição até a Catedral São Sebastião, onde teremos a Missa presidida por Dom Frei Cleonir. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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