ANO: 25 | Nº: 6210

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
22/01/2019 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Por que o janeiro é branco?

Como acontece com outros meses do ano que são relacionados a cores para chamar atenção e intensificar o cuidado com a saúde (novembro azul – saúde do homem, outubro rosa – prevenção ao câncer de mama), janeiro foi escolhido para abrir o ano dando ênfase à saúde mental. Da mesma forma que o branco é a reunião de todas as cores, fez-se a associação ao protagonismo das emoções na regulação da saúde como um todo. Isso tudo bem no comecinho do ano, quando costumeiramente fazemos planos e perspectivas de futuro.
É um momento para pensar como estamos vivendo, que importância temos dado ao nosso lado emocional e de que forma damos espaço, atenção e expressão ao mundo interno que existe dentro de cada um nós.
Nesse universo existem certezas e dúvidas, alegrias e tristezas, confusão, pressão, desejos, fantasias e necessidades. Nem sempre sabemos definir, compreender e atender essa demanda interna que pode ser, muitas vezes, descrita como uma voz interior que regula e comanda, acalmando ou perturbando nossos pensamentos, sentimentos e ações. Perceber e discernir a respeito dessa fala interna de um modo saudável e harmônico é o eixo da campanha que incentiva a presença de psicólogos em todos os espaços da sociedade democratizando e viabilizando o "conhece-te a ti mesmo". Este aforismo grego, considerado uma máxima da psicologia e filosofia, aparece na entrada do templo de Delfos em honra a Apolo, deus da beleza e da harmonia. A inscrição completa é "Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo". Revela importância do autoconhecimento e do contato consigo mesmo na obtenção e manutenção da saúde do corpo e da mente.
Cada pessoa, em momentos diferentes da vida, tem uma forma de perceber e de se relacionar com esses aspectos internos e não dar atenção a eles pode ser muito prejudicial. Não conseguir falar sobre algo que incomoda aumenta o desconforto. Não poder compartilhar um receio, uma inquietação, potencializa a insegurança. Essas experiências vivenciadas por longos períodos podem levar ao isolamento, esgotamento emocional e depressão.
Sendo assim, falar sobre a saúde das emoções é abordar a necessidade que todo o ser humano tem de expressar o que sente, de ouvir, de falar, de chorar, de confessar medos, ansiedades, fantasias e angústias. Posteriormente à expressão, vem a experimentação do alívio, reflexão, ponderação, novas perspectivas e a possibilidade de mudança, mas acima de tudo a certeza reconfortante de que não precisamos passar por tudo sozinhos.

 

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