ANO: 25 | Nº: 6279

José Carlos Teixeira Giorgis

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Desembargador aposentado e escritor
26/01/2019 José Carlos Teixeira Giorgis (Opinião)

Breves notas sobre bajeenses ilustres

As férias, mesmo curtas, permitem o ócio que afasta o cotidiano e desvia para outros interesses, como instantes de pesquisa no mundo virtual em busca de informações sobre conterrâneos relevantes, tais como as achadas sobre:

Aníbal Médici Candiota nascido em Bagé (1898). Conhecido como “Candiota, o Rei do Passe” em vista da precisão de seus lançamentos inicia a trajetória futebolística no Guarany F.C., transferindo-se para o Cruzeiro, de Porto Alegre e depois para o Flamengo, do Rio de Janeiro. Atua na Seleção do Rio de Janeiro, entre 1920 e 1922, sendo o primeiro bajeense a ser convocado para a Seleção Brasileira, isso para a disputa do Campeonato Sul-Americano de 1921. Volta ao Guarany em 1924, e depois em 1927 até 1932. Campeão carioca pelo Flamengo em 1920, 1921, 1925 e 1927. Campeão do Torneio Início do Rio de Janeiro em 1920 e 1922, do Torneio América Fabril em 1919, 1922 e 1923, E de numerosas Taças (Mackenzie, Ypiranga, Petropolitana, Hudson, etc.), e outros Troféus. Falece em 22 de janeiro de 1951.

Asdrúbal Euritisses da Cunha, nasce em Bagé em 1899 e falece em Pirassununga, SP, em 3 de novembro de 1971). Militar e político, ingressa no Exército em 1914, depois na Escola Militar do Realengo, então Distrito Federal. Aspirante (1925), 2º tenente (1926) e 1º tenente (1928). Em 1932 participa ativamente da Revolução Constitucionalista. Anistiado, é promovido a capitão (1936), major (1942) e tenente-coronel (1946). Em 1949 é nomeado prefeito de São Paulo pelo governador Adhemar de Barros, atividade que exerce até o ano seguinte. Em 1950 elege-se deputado estadual pelo Partido Social Progressista (PSP) e presidente da Assembleia Paulista em 1951, juntamente com a presidência da Comissão de Finanças e Educação, e a de Serviços Civis. Promovido a coronel (1953), concorre às eleições de 1954 e 1958, ficando na suplência. Passa à reserva como general em (1956). No Exército comanda estabelecimentos ligados à Intendência; também foi diretor e vice-presidente do Banco do Estado de São Paulo, presidente do Conselho Municipal de Turismo e coordenador da Cachoeira das Emas. Casado com dona Raimunda Cezith Moreira da Cunha com ela tem uma filha. Em Pirassununga, onde falece em 3 de novembro de 1971, houve uma escola estadual com seu nome, depois incorporada a instituto técnico e renomeada. O estádio de futebol do Esporte Clube União leva seu nome.

Avatar Moraes nasce em Bagé em 6 de abril de 1933. Artista plástico com centenas de obras, com diferentes visualidade4s e materiais, “caixinhas”, mãos, volutas, farpas, riscas, empenas, esculturas, desenhos, projetos de monumentos e de esculturas de solo, além do Marco Inicial, edificado na Rodovia dos Bandeirantes. Tem diversas etapas em sua atividade: Porto Alegre, Brasília, Boston e Rio de Janeiro. Convidado pelo “marchand” Franco Terranova expõe no Rio de Janeiro em 1967, fato com especial ressonância, passando o artista a integrar a elite das artes plásticas brasileiras. Participa das exposições individuais e coletivas em diversos museus nacionais, na Bienal de São Paulo, V Bienalle de Paris, Coletiva Brasileira em Londres, Exposição do Bi-Centenário em Boston. Suas obras se disseminam pelo MASP, SP; Museu de Arte Moderna, RJ; MARGS, RS; Pinacotecas de Porto Alegre, Paraná, Belo Horizonte, Universidade Federal, RS, Ministério do Exterior e Universidade de Brasília. Contemplado com a Bolsa Guggenheim, cumpre estudos em Cambridge, Massachussets. No retorno instala-se no Rio de Janeiro, aprofundando-se na investigação da arte como instituição social. Depois de duas décadas publica o livro “O Sagrado Moderno”, em que “ desvenda a origem moderna da arte, seu vínculo com capitalismo, sua condição de valor maior das sociedades complexas do presente, contestando as arbitrariedades entre a representação e a expressão, aqui território da Arte”. No Rio habita por três décadas, ligando-se, como professor, à Escola de Artes do Parque Lage e à Pontifícia Universidade Católica, RJ, tendo organizado uma Cronologia das Técnicas que abrangem a história humana como fruto de seu labor pedagógico, seguindo na produção de esculturas e objetos de arte até a morte, vítima de um câncer, em 19 de julho de 2011, no Rio de Janeiro.

Godofredo Vidal, nascido em Bagé (1895) pertence ao Exército e à Aeronáutica, como o major-aviador que criou a Modalidade do Ar do Movimento Escoteiro e fundador do Serviço Nacional de Meteorologia Militar, e idealizado a Semana da Asa. Neto do engenheiro José Maria Vidal, combatente da Guerra do Paraguai, foi o primogênito entre os nove filhos de Izabel de Paiva Rio Vidal e do general Alfredo Vidal, este fundador do Serviço Geográfico do Exército Brasileiro e introdutor do processo estéreo-fotogramétrico no Brasil. Godofredo foi aluno do Colégio Militar do Rio de Janeiro e, formado, estuda na Suíça, com estágios em diversas fábricas europeias. Ao retornar ao país, já durante a 1ª Guerra Mundial, matricula-se na Escola do Realengo, saindo aspirante de Cavalaria (1921).  Dedicado ao polo integra a equipe brasileira do Exército, no Chile. Atraído para a Aviação, matricula-se no Curso de Pilotos Observadores, na recém-criada Aviação Militar, tornando-se dele instrutor em 1928. Em 1931, em um Amiot, bombardeiro de fabricação francesa, na companhia do capitão Arquimedes Cordeiro e do 1º-tenente Francisco de Assis Correa de Melo, parte em vô pelas Américas. Em vista de pane, o avião é forçado a pousar entre as cidades de Guayaquil e Quito, em plena Cordilheira dos Andes, permanecendo todos incomunicáveis por três dias até serem localizados por moradores. Durante sua convalescença, e incapaz de voar, Godofredo se matricula na Escola de Belas-Artes e dedica-se a lecionar no Instituto Lafayette e Colégio Anglo-Americano, onde se destaca pela fluência em várias línguas. Como já dito, é o precursor do Correio Aéreo Nacional e fundador de Serviço Meteorológico Militar em 1934, no Rio de Janeiro. Em 1938 o major Godofredo, junto com o coronel-aviador Vasco Alves Secco e o 1º sargento telegrafista Jaime Janeiro Rodrigues, então integrantes do 5º Regimento de Aviação (hoje Cindacta II), de Curitiba, oficializam junto à União dos Escoteiros do Brasil o primeiro curso de escoteiro do ar no mundo. Durante um voo noturno, em 1941, e na companhia do tenente-coronel Carlos P. Brasil e do capitão Rosemiro Menezes, há grave acidente, de que escapam por verdadeiro milagre. Posteriormente Godofredo frequenta a Escola de Comando e Estado Maior do Exército, de que se afasta para integrar corpo docente da Escola de Guerra Naval, colaborando posteriormente na criação da Escola de Comando e Estado Maior da Aeronáutica, tendo estudado, ainda, na Army Air Force of Applied Tactics, em Orlando, Estados Unidos, com estágios na Aviação naval Americana e na Força Aérea dos Fuzileiros Navais Transferido para a reserva, como coronel, Godofredo se dedica aos estudos de Geografia e História, exercendo a vice-presidência do Instituto de Geografia e História Militar e Academia de Valência de Letras. Na reserva, ascende aos postos de brigadeiro-do ar e finalmente major-brigadeiro do ar. Cria a Semana da Asa, com apoio da Comissão de Turismo do Touring Clube do Brasil. Falece, aos 63 anos, em 8 de dezembro de 1958.
Em alguns episódios do bajeense Godofredo Vidal é impossível não lembrar semelhanças com o grande Saint-Exupéry, um dos pioneiros dos voos noturnos Europa- África- América.

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