ANO: 24 | Nº: 6163

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
29/01/2019 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Ficar velho é obrigatório. Tornar-se chato é opcional

Li esta provocação em uma rede social, ri, refleti e não resisti em falar a respeito. Quanta gente chata por aí que desgastou cem anos em meses? Quanta gente acreditando estar com a razão e sendo polícia ou fiscal da vida alheia? Na verdade, está apenas exercitando a chatice...

A cada dia vivido vamos ficando mais velhos, mais sábios nem sempre, porque isso implicaria em muitos aspectos reunidos, dentre eles ser humilde, ter preguiça em reviver algumas situações que sabemos não levarão a lugar algum e, por fim, aprender com as experiências. Quem pode aprender? Somente quem não sabe tudo. Apenas quem erra. Tão somente pode entender e ficar mais esperto quem não gosta de eternas repetições. Só amadurece com o passar dos dias quem não joga no outro a responsabilidade por seus atos. Somos o que somos, porém seremos aquilo que escolhermos e trabalharmos para ser. Enquanto não acontece essa escolha ou trabalho em prol do objetivo, fatalmente seremos chatos, rabugentos e ranzinzas, independente de idade. Seremos velhos nas reações ao mesmo tempo em que crianças bobas, eternamente apontando o coleguinha para justificar nossos próprios atos: "Foi ele quem começou. Ela quem provocou. Só reagi pra me defender." Blá, blá, blá!
Tanta plástica para rejuvenescer. Tantos investimentos cosméticos e na moda para parecer mais jovem, mas as atitudes traem e revelam mais que ano de nascimento a data de vencimento. Ideias com prazo de validade vencidas, pontos de vista cheirando a mofo, atitudes repassadas, repisadas e carcomidas. Muitas vezes a magreza do corpo não esconde o sobrepeso das ações, do olhar, do gesto que imprime toneladas ao dia a dia. Posturas arcaicas a se repetir. Militância sem substância, slogans sem cérebro ou coração, tudo que é demais satura, tudo que é excesso chateia. Aquilo que se repete em demasia é aborrecido demais e não precisa ser assim. Embora queiramos conforto, o cérebro busca o novo, instintivamente cansamos e queremos nos afastar do cansaço.
Para sair do tal ciclo vicioso é preponderante inovar, criar outras rotinas, descartar o lixo emocional e de atitudes que não trazem leveza. Cabe ressaltar um detalhe importante, a reforma é individual! Nada mais chato que querer reformar o vizinho! Qual é o seu cansaço ou repetição? Ser sempre a vítima? Nunca ter razão? Ou quem sabe razão em excesso? Discussões intermináveis? Decepção, desânimo, preguiça? Ou é falta de tempo que justifica a sua chatice diária? Faxinar a cabeça e a conduta, criar novas ações é um imperativo para amadurecer sem se chatear e pesar ao próximo. Não tem receita, tem trabalho. Se não sabe como, invente um jeito. Se não é criativo, pelo menos pare de repetir ou, pior, reproduzir sem processar, sem pensar. Mais leveza, mais humor, mais amor e graça, por favor. A humanidade agradece!

OLHO
"As atitudes revelam mais que ano
de nascimento a data de vencimento"

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