ANO: 25 | Nº: 6312
31/01/2019 Campo e Negócios

Lançada pela Embrapa, de Bagé, máquina para combate ao capim-annoni é avaliada por empresas

Foto: Keke Barcellos/ReproduçãoJM

Equipamento foi analisado durante reunião realizada no município
Equipamento foi analisado durante reunião realizada no município
Representantes da Embrapa Pecuária Sul, da fabricante de maquinários agrícolas Grazmec e de empresas revendedoras de maquinários e implementos agrícolas reuniram-se no dia 25 de janeiro, em Bagé, para fazer uma avaliação do desempenho de campo e mercadológico do aplicador seletivo de herbicida Campo Limpo, máquina de combate ao capim-annoni e outras diversas plantas invasoras que degradam as pastagens.

Lançada em 2008 pela Embrapa, a tecnologia hoje fabricada pela Grazmec reduz as infestações no campo quando usada com outras práticas de manejo, como a correção e a manutenção da fertilidade do solo, a sobressemeadura de espécies forrageiras de inverno e de verão e o ajuste de carga animal de acordo com a oferta de pastagem. Todos esses princípios integram o Método Integrado de Recuperação de Pastagens (Mirapasto).

Conforme o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Jorge Sant'anna, o encontro foi importante para confrontar diversas impressões de produtores adotantes da tecnologia com a percepção dos fabricantes, dos pesquisadores e dos revendedores sobre a Campo Limpo. "Se por um lado temos um problema extremamente crítico no Rio Grande do Sul, que é o capim-annoni, por outro temos uma máquina eficiente no combate a essa e a outras invasoras. Ao mesmo tempo, essa tecnologia ainda não é muito conhecida pelos produtores e não está massivamente nas propriedades. Dessa forma, o encontro foi muito produtivo para definirmos alguns pequenos ajustes na máquina para melhorar a eficiência no campo, mas, principalmente, começaram a surgir novas estratégias de divulgação da máquina", disse.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Naylor Perez, pequenos ajustes no equipamento, como um novo mecanismo de limpeza, o reforço de alguns componentes e um melhor fluxo de distribuição do herbicida, são melhorias que não aumentam o custo final da Campo Limpo e poderão dar resultados significativos para os produtores. "Associado a esses avanços vamos produzir vídeos instrutivos, para que o produtor possa fazer o melhor uso possível do equipamento", reforça.

Campo Limpo
A Campo Limpo controla de forma seletiva gramíneas indesejáveis como o capim-annoni. Também controla plantas tóxicas de folha larga como a maria-mole/flor-das-almas e o mio-mio. Em virtude da diferença de altura que se estabelece entre as plantas forrageiras consumidas pelo gado e as espécies invasoras, que ganham maior altura, somente as plantas indesejáveis entram em contato com os aplicadores de herbicida da máquina. Essa forma de uso direto, sem a necessidade de pulverização, aumenta a segurança da aplicação, evitando riscos de deriva do produto e de inalação indevida pelo operador, beneficiando o meio ambiente e o homem.

O uso deve ser conjugado com as outras práticas de manejo previstas no Mirapasto, de forma a obter maior eficiência para o controle de plantas invasoras e recuperação das áreas degradadas. "É uma máquina fantástica, muito funcional e que controla o problema no campo, principalmente a questão do capim-annoni. Não dá para comparar com uma roçadeira mecanizada, porque com a roçadeira mecanizada o problema do capim-annoni até se aprofunda. É um equipamento pronto, claro que alguns ajustes são necessários, mas todos os clientes ficam satisfeitos. Alguns desejos dos produtores podem entrar como opcionais, como o aumento da área de aplicação do herbicida, por exemplo, o que agilizaria o trabalho da máquina", destacou o gerente comercial da Grazmec, Mário Bandeira.

Uma das iniciativas definidas para ampliar a divulgação da Campo Limpo foi um roteiro de eventos, que vai percorrer alguns municípios do Estado, levando informações técnicas sobre a máquina e sobre o controle do capim-annoni e recuperação de áreas degradadas. Outra ação será a realização de atividades em grandes feiras estaduais, reunindo a pesquisa, a indústria, os revendedores, produtores e outros parceiros para discutir o tema. "A máquina é muito eficiente, mas ainda não é bem conhecida pelo produtor", destacou o representante da revendedora Escopel, Darci Sberse. "Esse tipo de evento pode ajudar a divulgar melhor a máquina e ampliar a comercialização", completou o representante da revendedora Damasceno, Flávio Damasceno.

Apesar de ter sido concebida nas condições do Rio Grande do Sul, a máquina Campo Limpo, de acordo com a Embrapa, tem eficiência no combate de diversas plantas invasoras no Brasil. Um exemplo é o capim-navalha, invasor comum nas pastagens do Norte do País. "Hoje, temos diversas máquinas trabalhando em Marabá, no Pará, no controle dessa invasora", comentou Bandeira.

Durante o evento aconteceu, também, a assinatura da renovação de contrato de cooperação, entre Embrapa e Grazmec, para continuidade da fabricação da máquina Campo Limpo pela Grazmec. Participaram da organização do evento os pesquisadores da Embrapa Hélio Tonini, Jorge Sant'Anna, Naylor Perez e Renata Suñé.

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