ANO: 24 | Nº: 6183
01/02/2019 Cidade

Aos 50 anos, Lara é o novo presidente da Assembleia Legislativa do RS

Foto: Glauber Pereira

Petebista assumiu presidência do parlamento ontem
Petebista assumiu presidência do parlamento ontem
Após ser reeleito para um sexto mandato consecutivo como deputado estadual, nas eleições do ano passado, ao receber 56.396 votos, o bajeense Luis Augusto Barcellos Lara, do PTB, 50 anos, fez história no meio político de sua terra natal. Ontem, durante a sessão solene de posse da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, o petebista assumiu a presidência do parlamento gaúcho, algo até então alcançado por 66 políticos e apenas um conterrâneo (Cândido Norberto, em 1963).
Num dos dias em que, com certeza, foi um dos mais agitados de sua carreira, Lara teve que se desdobrar em Porto Alegre, tamanha era a lista de compromissos. Uma visita para parabenizá-lo, de familiares e amigos, mesclava com jornalistas, em busca de uma palavra diferente do discurso protocolar, a exemplo do Minuano. E tudo tinha um por quê. Além da cerimônia destinada à posse de todos os eleitos no ano passado, a qual, obrigatoriamente, precisaria acompanhar, o rito para assumir o comando do parlamento exigia mais, inclusive uma entrevista coletiva, programada para ocorrer após o ato oficial.
E não eram poucos. Entre mesas, cadeiras e uma infinidade de cabos de energia ou de fibra ótica, mal havia espaço na sala destinada à imprensa, o salão Júlio de Castilhos. Profissionais de todos os rincões do solo gaúcho, e mesmo de outras instâncias, dividiam espaços para conseguir uma resposta, um detalhe que rendesse a notícia que seria manchete, fosse no ao vivo do rádio, TV, ou mesmo internet, e, ainda, nas edições de hoje dos jornais.
Não havia espaço para contratempos. A cerimônia na Assembleia, diga-se de passagem, foi exemplar. Cronometrada, pontual, ágil. O evento destinado aos convidados deu aula de cerimonial, chamando cada parlamentar para proferir o esperado “Assim, eu prometo”. No caso de Lara, ocorreu exatamente às 14h40.
Passado o ato formal, o aguardo passou a ser a eleição da mesa, para condução de Lara ao comando do parlamento gaúcho. E não demorou muito para tal definição tomar forma, até porque como apenas uma chapa havia sido inscrita, aquela encabeçada pelo próprio petebista, foi apenas uma questão burocrática. Lidos os nomes dos competentes, e dado o aval do plenário – eram necessários 28 votos favoráveis e apenas cinco se posicionaram contrários –, não restou mais nada.
A espera, então, foi pela manifestação, iniciada às 15h03. “Eu havia preparado um discurso escrito, mas que esse é o momento em que o coração deve falar mais alto. Aqui, com a presença da minha família, dos amigos e do povo gaúcho que nos acompanha”, mencionou pouco após destacar personalidade que lhe inspiraram na atuação política. E este foi o norte da manifestação do petebista. “É um momento em que temos 28 novos deputados. É, quem sabe, a maior renovação deste parlamento. (...) e são mais mais 27 deputados e deputadas experientes. Os que aqui ficaram, os que permaneceram, certamente têm um diferencial. E é nesse caldo, em aglutinar estas diferenças, que vamos nos dedicar”, completou ao avaliar o momento político. “Precisamos é tirar o Rio Grande do Sul dessa crise atual”, completou.
“A Assembleia Legislativa, que há 15 anos atrás, na gestão de Sérgio Zambiasi, compartilhava cerca de 2,46% do orçamento do Estado, se encontra hoje com 0,9%, que demonstra uma mudança. Mostra, acima de tudo, que se a Assembleia não continuar perseverando será amanhã o Executivo de hoje; terá que enfrentar o parcelamento (...) isto tem que ser desde a economia mais simples, do papel, até relatórios mensais”, sustentou o petebista.
Quanto as medidas a serem adotadas, mencionou uma como imediata. “O primeiro eixo será o social. Se o governo, através do Executivo, não tem condições de alcançar recursos para pagamento de hospitais (...) tantos outros do setor, nós temos outras ferramentas e vamos persegui-las. Vamos liderar, a partir desta semana, o fechamento deste eixo social”, adiantou ao emendar: “Nós temos que trabalhar na convergência daquilo que interessa para o Rio Grande do Sul, independente de sermos de esquerda e de direita”.
O discurso volta à busca de soluções, em especial, ao terceiro setor, seguiu durante a coletiva concedida à imprensa, logo na sequência. “Para esta legislatura, mais que marcar posição, temos que gerar resultados. Não temos tempo para belos discursos, sem resolver problemas estruturais. Por exemplo, a BR-116 é a que mais tem acidentes fatais na Metade Sul do País mesmo sendo composta por pedágios. Acredito que precisamos discutir concessões, assim como parcerias público-privadas. Mas não sendo contra ou a favor de privatizações, mas debatendo alternativas”, argumentou. Questionado sobre como atuará em questões como o Plano de Carreira do Magistério, Lara foi direto ao afirmar que tópicos como este, mesmo sendo importantes, serão tratados de forma regimental.
Por fim, o novo presidente da Assembleia anunciou, para março, a reabertura do Fórum Democrático. “Quinzenalmente, iremos até os municípios, para discutir os grandes problemas do nosso Estado (...) É assim que vamos fazer a nossa parte”, concluiu.

“O Rio Grande do Sul ganha”, afirma prefeito de Bagé
A condução de Luis Augusto ao comando do parlamento gaúcho, por questões até óbvias, trazem perspectivas para o cenário político de Bagé, em especial para o Executivo. Aliás, o prefeito Divaldo Lara, que é irmão do novo presidente da Assembleia, deixava transparecer o orgulho.
Questionado pelo Minuano sobre o que Bagé ganha, rebateu de imediato: “O Rio Grande do Sul ganha. Ganha um parlamentar com perfil moderno, com trânsito em todas das instâncias políticas do Estado, entre as bancadas, um presidente experiente, com perfil propositivo. Os bajeenses estarão representados com um presidente que fará uma gestão moderna e marcante, que em seu planejamento definiu metas a curto, médio e longo prazo. Como prefeito, sei que contaremos com a formação da presidência da Assembleia para encaminharmos demandas de Bagé e da região”, detalhou. Como irmão, frisou que a função obtida é por merecimento. “O acompanho na política desde 1992 e tenho nele uma referência, como político, ser humano. Eu e toda a família estamos emocionados. Pelo voto, ocupamos espaços que não acredito que outra família tenha ocupado em tamanha representatividade e número de mandatos. Tudo isso resultado de um trabalho que fizemos pelos bajeenses e pelo povo gaúcho”, concluiu.
O pensamento positivo de Divaldo é acompanhado pelo atual presidente da Câmara, Esquerda Carneiro. Também petebista, ele frisa que iniciou no meio político como cabo eleitoral de Luís Augusto, há 16 anos. “Acabei me tornando vereador e, hoje, presidente da Câmara. Creio que o comando da Assembleia é um feito de relevância para Bagé”, frisou.

Em articulação pela região
Entendendo o significado da posição conquistada por Lara, a presidente da Fundação Attila Taborda (Fat) e reitora da Urcamp, Lia Maria Herzer Quintana, viajou até Porto Alegre para acompanhar a posse. Entre agendas que incluíram compromissos junto a representantes de universidades comunitárias gaúchas e visitas a gabinetes da Assembleia, ela mencionou ser importante, para a região, contar com um político em um cargo de tamanha proporção.
Na avaliação da presidente do Conselho Regional de Desenvolvimento Econômico (Corede Campanha), uma atuação voltada ao incentivo do terceiro setor, não apenas pode transformar realidades, mas sanar demandas até então travadas por mecanismos burocráticos.
Convidada para a posse, Lia acompanhou toda a cerimônia e, depois, parabenizou, pessoalmente, o novo presidente do parlamento do Rio Grande do Sul.

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