ANO: 25 | Nº: 6312

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
02/02/2019 José Artur Maruri (Opinião)

Coisa sagrada

Na última semana, quando transcrevemos uma entrevista concedida por Francisco Cândido Xavier para a TV Tupi de São Paulo, tivemos a oportunidade de observar um exemplo de quem tratou a mediunidade como uma “coisa sagrada”, parafraseando Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Francisco Cândido Xavier ou apenas Chico Xavier jamais auferiu quaisquer lucros através de uma de suas ferramentas de trabalho, oferecida por Deus, que é a mediunidade, tal e qual leciona a Doutrina dos Espíritos.
No entanto, a mediunidade não é apenas privilégio de espíritas como Chico Xavier. Ela se vulgariza em todas em partes do planeta, em todas as pessoas, independentemente de raça ou credo, por isso, também, muitos desatinos são cometidos em conta da mediunidade.
“Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expeli os demônios; daí de graça o que de graça recebestes” – Mateus 10:8.
Diante da máxima do Cristo, Allan Kardec leciona:
“Daí de graça o que de graça recebestes’, disse Jesus aos seus discípulos, e por esse preceito estabelece que não se deve cobrar aquilo por que nada se pagou. Ora, o que eles haviam recebido de graça era a faculdade de curar os doentes e de expulsar os demônios, ou seja, os maus Espíritos. Esse dom lhe fora dado gratuitamente por Deus, para alívio dos que sofrem e para ajudar a propagação da fé. Ele lhes diz que não o transformem em objeto de comércio ou de especulação, nem em meio de vida”.
Não foi por menos que Jesus adentrou ao Templo e expulsou os vendilhões de lá. Fazendo isso, o Mestre condenou o tráfico das coisas santas, sob qualquer forma que seja. Deus não vende a sua benção, nem o seu perdão, nem a entrada no Reino dos Céus. O homem não tem, portanto, o direito de cobrar nada disso.
Nessa linha, Allan Kardec prossegue: “(...) O tráfico, degenerado em abuso, explorado pelo charlatanismo, pela ignorância, a credulidade e a superstição, que provocou a proibição de Moisés. O Espiritismo moderno, compreendendo o aspecto sério do assunto, lançou o descrédito sobre essa exploração, e elevou a mediunidade à categoria de missão”. (Ver Livro dos Médiuns, cap. XXVIII, e Céu e Inferno, cap. XII).
O Codificador do Espiritismo – Allan Kardec, ainda, abriu um tópico para tratar apenas da mediunidade curadora:
“O médico oferece o resultado dos seus estudos, feitos ao peso de sacrifícios geralmente penosos; o magnetizador, o seu próprio fluído, e frequentemente a sua própria saúde: eles podem estipular um preço para isso. O médium curador transmite o fluído salutar dos bons Espíritos, e não tem o direito de vendê-lo. Jesus e os Apóstolos, embora pobres, não cobravam as curas que operavam”.
Enfim, os bons Espíritos estarão sempre ao lado de quem de quem se sacrifica e se devota pelo amor e pela caridade, ao passo que se afastam de quem utiliza a mediunidade como meio de subir na vida.
Fica o alerta para quem está acometido por uma doença ou combalido por dificuldades, quando procurar um médium, o faça com a certeza de que os bons Espíritos estarão ao lado daquele que se utilizar da mediunidade como “coisa sagrada”, que “deve ser praticada santamente, religiosamente”, sem quaisquer tipos de cobrança, na forma prescrita pelo Evangelho Segundo o Espiritismo, “dar de graça o que de graça receber”.

(Referência: Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 26. FEB Editora)

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