ANO: 25 | Nº: 6309

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
02/02/2019 Airton Gusmão (Opinião)

Profeta a serviço do Reino

A liturgia da Palavra deste domingo nos convida a refletir sobre a missão profética de Jesus enquanto “enviado” de Deus para anunciar a Boa Nova a todos. Jesus era profeta e agia como profeta. Não era um sacerdote do templo ou mestre da lei, mas vivia a realidade a partir da compaixão de Deus pelos últimos, criticando todo tipo de injustiça e chamando a todos à conversão. Desta forma, esteve sempre empenhado em cuidar e guiar com seu Espírito o povo sofrido pela ganância das autoridades da época. Fiel a esta sua missão de levar a vida plena a todos, encontrou muitas perseguições e rejeições em seu caminho.
No Evangelho lembramos um desses episódios, a expulsão de Jesus da sinagoga. Os habitantes de Nazaré recusaram a sua Palavra porque esperavam um messias grandioso, com gestos extraordinários e não o filho do carpinteiro. Confrontados com a verdade de Deus, descobertos em suas mentiras e covardias, ficaram furiosos ao ponto de tentar lançá-lo no precipício. Quantas pessoas hoje, a exemplo dos habitantes de Nazaré, também buscam um Jesus a seu modo, “curandeiro”, “mágico” ou funcional que resolva seus problemas de forma imediata sem nenhum compromisso com o Evangelho. O mesmo erro ainda se repete nos dias de hoje, muitos falam de Jesus, até agradam-se de suas palavras, mas nem todos buscam uma adesão vital a Ele. O que hoje está impedindo as pessoas de buscarem uma adesão mais fiel ao projeto de Jesus? Sabemos, como evangelizadores, identificar estes motivos que levam as pessoas a se fecharem à Boa Nova? A constante pressa, falta de tempo, individualismos, egoísmos, não são alguns motivos a serem enfrentados hoje? O que temos certeza é que sem uma adesão vital a Jesus não se consegue entender sua vocação profética. Em nossos dias, as mesmas razões levam pessoas e grupos a rejeitarem a mensagem de Jesus e a perseguirem os seus profetas, quando eles denunciam a concentração de bens, a corrupção, o desprezo pelos pobres, a ganância e o lucro que destroem a vida humana.
Todos os cristãos batizados participam desta mesma missão de Jesus, ou seja, a partir de uma profunda intimidade com Ele, são chamados a denunciar as injustiças, sendo sinais de esperança e fraternidade onde a vida não é respeitada em sua dignidade.
No final do Evangelho, “Jesus passando no meio deles, retirou-se seguindo seu caminho” (v.30), no trabalho de evangelização, muitas vezes também passamos por esta experiência do fracasso das nossas ideias, projetos, ações. No entanto, assim como Jesus, devemos seguir em frente, semeando a “Alegria do Evangelho” em todos os lugares, encontrando sempre em nossas vidas formas e caminhos para vivenciar e testemunhar o amor de Deus.
Façamos a nossa parte, sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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