ANO: 25 | Nº: 6335
04/02/2019 Segurança

Morre mototaxista que teve perna amputada após acidente de trânsito

Foto: Divulgação

Eduardo Corrêa Costa, 53 anos
Eduardo Corrêa Costa, 53 anos
O mototaxista Eduardo Corrêa Costa, 53 anos, morreu na tarde de sábado, 2, após uma infecção generalizada, em consequência de uma fratura na perna, em um acidente de trânsito no bairro São Judas Tadeu, ocorrido em janeiro.
A irmã de Corrêa, a dona de casa Sabrina Costa Coitinho, de 54 anos, conta que no dia 22 de janeiro, seu irmão estava parado em sua motocicleta, por volta das 16h30min, no bairro São Judas Tadeu, quando foi vítima de um acidente de trânsito, vindo a cair e fraturar o fêmur. “Ele foi socorrido pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e levado direto para a Santa Casa de Caridade de Bagé. Passou por atendimento médico e foi realizada uma cirurgia, depois de passar três dias, foi realizada nova cirurgia e colocados os ‘ferros’, uma tração, e foi para o quarto, às 10h”, relata.
Sabrina diz que ficou durante todo tempo com ele no hospital. “Eu não saí de lá, só que começou um cheiro forte, já na sexta-feira, nem os pacientes aguentavam. Sábado e domingo, nenhum médico foi até o local e o cheiro era de podre. As enfermeiras nos disseram que não podiam fazer novo curativo. Nós passávamos mal com o cheiro no local. Os outros pacientes estavam horrorizados e todo mundo ficava com ânsia de vômito, pois o cheiro era muito forte”, explica a irmã da vítima.
Ela ainda ressaltou que, na segunda-feira, pediu para o médico ir lá ver o irmão, mas o profissional somente foi na terça-feira. “Na manhã de segunda-feira (dia 28), a gente pedia que alguém fizesse o curativo e o médico fosse vê-lo. Estava escorrendo sangue ‘preto’ da perna e o cheiro era muito desagradável. Somente à tarde, elas resolveram abrir os curativos e então eu fiz as fotos. Tinham várias larvas na perna do meu irmão. As enfermeiras se entreolharam e começaram a limpar aquilo. Meu irmão era um homem de campanha, estava lúcido e ainda disse que nunca tinha visto aquilo, que só em bicho via aquelas larvas. Foi uma situação horrível”, destaca.
Na terça-feira, Costa foi removido para um quarto isolado e o médico foi chamado pela família, conforme salientou a irmã. “Fomos até onde ele estava e disse que iria ter que fazer uma nova cirurgia para limpar aquilo, mas que não iria amputar. Na quarta-feira, começou a delirar, teve febre alta, gritava de dor. O médico do pronto-socorro, que foi até o local, deu um remédio para ele melhorar, mas não adiantou. Na quinta-feira, ele foi levado para Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), passou por outra cirurgia, na sexta-feira, pela manhã, perna foi amputada e ele acabou morrendo no sábado”, recorda.
Sabrina afirma que seu irmão não tinha doença. “Ele ajudava em casa. Moramos eu e meu filho de 18 anos, minha mãe e o Eduardo. Trabalhava há 11 anos na telemoto Estrela, no bairro Santa Carmen. Era um homem tranquilo, solteiro e muito saudável. Estamos já com o processo na polícia e no Ministério Público. Queremos justiça. Sei que ele não voltará, mas queremos um alento pelo menos”, acrescenta.

Investigação
Duas ocorrências foram registradas na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA). Conforme o delegado André de Matos Mendes, titular da 2ª Delegacia de Polícia Civil e responsável pela investigação, já estão sendo apurados todos os fatos. “Iremos ouvir familiares, conhecer toda a situação e também como se passou o fato. Temos 30 dias para completar todo o inquérito. Vamos pedir perícias e apontar o que de fato ocorreu”, detalha.
O delegado ainda ressalta que tudo deverá ser investigado para então ter os responsáveis. “Vamos investigar as causas e circunstâncias para saber, primeiramente, se pode ser atribuída a uma ação/omissão criminosa. E depois, após toda a investigação, verificar quem deu causa ou concorreu para o resultado. Falar em homicídio agora, sem examinar os prontuários, seria prematuro”, complementa o titular da investigação.

Sindicância
O provedor da Santa Casa de Caridade de Bagé, Airton Lacerda, destaca que não houve omissão do hospital. “Já convocamos o conselho de ética da Santa Casa e também abrimos uma sindicância”, explica.
Lacerda destaca que se tratava de uma fratura grave, em decorrência de acidente de trânsito. “Eu não sou especialista em traumatologia. Iremos averiguar se houve negligência, pois foi submetido a cirurgias na tentativa de salvar a perna. A família relata que o médico não teria assistido. Tudo isso iremos investigar, pois o hospital disponibiliza todos os equipamentos, medicamentos e cirurgias. Cabe salientar que eu, enquanto provedor, não sei de todos os procedimentos, pois é de responsabilidade de cada médico, por esse motivo iremos averiguar tudo que de fato ocorreu”, informa o médico.
O provedor ainda ressalta que tudo será visto, pois a contaminação com bactérias pode ocorrer em pouco tempo. “Temos que ver quanto tempo foi, quando ocorreu o acidente, onde foi a contaminação. Tudo será esclarecido. A Santa Casa está à disposição e não se omitiu na prestação de socorro”, garante.

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